E aí seus loks!
Minhas viagens solitárias tem cada vez mais se tornado grandes momentos de reflexão sobre diversos aspectos da vida.
Diante do sucesso de audiência do artigo que escrevi ontem, hoje resolvi ir mais a fundo em um conceito que venho trabalhando a algum tempo e parte dele quero dividir com vocês.
O que você quer ser? O que você quer fazer da vida? O que realmente faz você feliz, te excita? e Por que você não faz?
Durante muito tempo, principalmente nos últimos três anos venho tendo estas profundas análises em praticamente todos os momentos que me encontro sozinho, e que de verdade, não tem sido poucos. São muitas viagens, quarto de hotel, trabalhos isolados, torneios de poker com fone de ouvido. Se tem algo que conheço sou eu mesmo.
Talvez uma das minhas maiores indagações é o por que o ser humano não executa aquilo que ele quer, aquilo que faz ele feliz?
Vou tentar detalhar para me fazer entender melhor.
Depois que conheci o poker, este jogo me excitou tanto que fiquei obcecado em buscar o máximo que eu pudesse dele, jogar o maior número de torneios, estudar o maior número de horas, tudo, tudo o que poker estivesse envolvido passou pelo meu surto e confesso que até hoje ainda passa. De repente, este surto acabou se tornando a minha profissão em um determinado momento, ou seja, o empenho foi tão grande, noites de sono, horas de reunião de trabalho pensando em outra coisa, conversas com amigos evasivas porque minha cabeça estava naquelas técnicas e táticas sobre aquele jogo. Sim, talvez um exagero, mas me trouxe até aqui. De fato não consigo nem imaginar o preço que paguei por isso pois para mim não teve preço nenhum, fui feliz e sou feliz dentro deste surto até hoje.
Hoje meu trabalho, meu emprego, além de me render dividendos me gera felicidade, prazer, sou feliz fazendo o que eu faço. Não sei até quando, talvez já já venha outro surto mas hoje o surto é este!
Quando vejo a repercurssão do meu artigo de ontem e principalmente a quantidade de e-mails e contatos que recebo todos os dias em todos os meus canais vejo que tem muita gente que já tem este mesmo prazer no poker, este surto, mas a grande maioria imagina isto como um futuro distante, uma coisa quase que inatingível, algo que você consegue enxergar como o outro conseguindo e você o elogiando, vangloriando mas de fato você não consegue se imaginar fazendo.
Por que?
Acho que durante estes meus pensamentos solitários venho encontrando a solução para esta equação, ela vem com algumas perguntas mas que irão resultar em um mesmo pensamento final.
O quanto você quer de verdade? O quanto você faz para isto acontecer? Estou longe de linkar estas perguntas somente ao poker em, por favor, estou relacionando-as a qualquer coisa, a qualquer profissão, atividade, objeto, prazer, qualquer coisa que faça sentido e te de uma esperança de te deixar excitado.
O quanto de fato você quer aquela coisa e o quanto você todos os dias faz para conseguir?
Você dorme e acorda no meio da noite querendo aquilo?
Você esquece de comer porque esta estudando aquilo?
Você pede ajuda para quem sabe, a ponto de ir atrás das pessoas, ligar, mandar e-mail, sinal de fumaça, pombo correio, ou qualquer forma de contato e que se 99% das vezes não funcionar você não desisti e tenta tudo de novo?
Acho que não galera, as pessoas em geral não fazem isto! A grande maioria diz que quer mas não quer de verdade.
Parece que você quer mas você não quer de verdade! Este é o ponto!
Eu antes do poker fui mal sucedido em muitas coisas, nunca parei de tentar mas também nunca tentei tão forte como no poker e deu!
Não estou tentando me colocar em um grupo especial de pessoas mas sim, me coloco em um grupo de pessoas que pela realidade da vida, a vida que me foi apresentada, quis mais que outras, não dormiu, não sossegou enquanto não conseguiu algo, alguma evolução.
A parte mais importante do que estou tirando de conclusões vem agora.
Juro para vocês que todos os dias estou tendo exemplos e vendo pessoas, ouvindo histórias na minha experiência de vida que provam que TODOS NÓS SOMOS IGUAIS, todos nós podemos conseguir este SURTO, todos mesmo, só basta acionarmos uma chave dentro de nós que depois que ligada não desliga mais, ela só diminui a pressão quando chegarmos lá, quando conseguirmos o nosso objetivo.
Depois que tentei ao extremo no poker e deu certo acionou minha chave, parei de tentar e comecei a executar, fazer mesmo, quis emagrecer, o que para mim era impossível antes da virada chave, fui lá e fiz, foda-se, ninguém me parava, ia correr as 3 da manhã, tava surtado! O surto é o remédio!!!
Hoje tive uma conversa fantástica aqui em Barcelona, quando fui almoçar sozinho no shopping pois não encontrei meus colegas Team Pros pela manhã, graças a Deus, não porque eu não queria encontra-los, muito pelo contrário estou tendo momentos maravilhosos com eles aqui, mas porque acabei encontrando mais uma pessoa na minha vida que é daquele grupo dos que fazem diferença na sua evolução.
Fui ao shopping Diagonal Mar e depois de andar um pouco e comprar umas camisetas resolvi almoçar em um charmoso restaurante japonês fora do shopping. Peguei uma mesa na parte de fora e pedi um mix de sushi e sashimi. Talvez como eu nunca fiz em toda minha vida, pedi no almoço uma taça de vinho tinto, me deu vontade de tomar. Isso já era 15:00hs, restaurante vazio e eis que o dono do restaurante vem com um inglês bem ajaponesado até a minha mesa, um sr de uns 60 anos, a cara do Sr Miaggi, e pede para sentar. Eu disse que claro e começamos a conversar.
Ele perguntou da onde eu era, eu perguntei se ele era o dono, conversa vai, conversa vem e eu o questionei pq ele havia resolvido sentar ali comigo, que as pessoas normalmente não faziam isto.
Ele era um tio realmente especial, muito inteligente, aqueles sábios japoneses mesmo, incrível como muitas coisas que fizeram diferença na minha vida vieram do Japão, conceitualmente falando. Eis que ele respondeu.
Disse que até os 40 anos ele ficou submetido aos preceitos que a vida dava a ele, ele nadava junto com a corrente, trabalhou em uma montadora de automóvel no Japão, tinha um salário baixo mas que dava para levar a vida, seus filhos estudavam e ele fazia aqueles mesmos turnos dia após dia. Um dia teve férias e resolveu vir para Barcelona.
Ganhou a passagem dele da empresa e pagou pela da esposa e dos dois filhos. Ele chegou aqui e assim que desembarcou teve um sentimento que não sairia mais, disse que todos sorriram para ele e a coisa começou a ficar meio mágica. Diz ele que chegou no hotel e falou para a esposa “Que tal se morássemos aqui?”, ela mandou ele calar a boca que haviam acabado de fazer o check in. Mas as palavras tem poder.
No mesmo dia ele veio neste mesmo restaurante que estávamos sentado, disse ele que era completamente diferente, bem zuado, mas que comeu uma comida japonesa de qualidade e que conversando com o dono ele viu o interesse dele de vender o mesmo, ná época pedia por volta de 100.000 euros.
Ele começou a ficar surtado pela chance de ter um restaurante japonês em Barcelona mas tinha apenas 20 mil euros guardado. Bom, para resumir, ele conseguiu um emprego no próprio restaurante como sushi man, alugou um apartamento minúsculo, obviamente convenceu a familia de que aquilo era um bom plano para os filhos aprenderem outra lingua e que seria apenas temporário e finalmente não utilizou sua passagem de volta para o Japão.
Trabalhando no restaurante ele conseguiu depois de um certo tempo um pedaço da sociedade pois o dono não aparecia muito, era vagabundo, e aos poucos foi comprando com o que restava com seu salário, pedaço a pedaço, até que o próprio dono o passou todo o restaurante em troca de um financiamento do restante por dois anos.
Ele virou para mim e disse “Então amigo brasileiro, depois disto, eu faço sempre o que eu quero da minha vida, e resolvi vir aqui, falar com você, porque eu quis!”. hehehehe
Ficamos mais uma hora e meia pelo menos conversando. Ele contou tudo sobre o restaurante, eu disse que tinha um no Brasil e que estava agora abrindo o segundo e por aí foi papo a fora. Ele me encheu de conselhos, dicas da culinária, coisas muito legais que vou levar comigo para o Brasil com certeza.
Entretanto, sai de lá e fiquei até agora, 3 da manhã pensando, o porque as pessoas não fazem isto? Não abrir restaurantes, mas sim, fazer exatamente o que querem, o que lhes dá prazer?
É claro que existe o famoso risco mas qual risco é maior? O de fazer o que não dá prazer por mais tempo e depois ficar perdido em um futuro sem paixão pela sua atividade ou fazer intensamente a perseguição do seu sonho, sabendo que a paixão é uma gasolina que nunca acaba, ela pode ser substituída por outra mas uma vez que você descobre do que você é capaz quando realmente enfia o pé com paixão, com tesão, você consegue qualquer coisa.
Desculpa estar sendo um pouco motivador ou questionador demais, parece artigo de auto ajuda mas é exatamente para isto que tenho este blog. Não ganho nenhum centavo com ele, apenas o quero para compartilhar minhas ideias, minhas motivações, aflições e etc.
Levanta a porra da bunda do sofá e faz o que você quer fazer, mas encara todos os sofrimentos que você terá pela frente mirando lá no objetivo final, faz com força total. Não consigo imaginar este plano dando errado, juro para vocês. Algumas certezas há de se ter, a primeira delas é que está longe de ser fácil, mas sério, se for fácil fudeu, aí é uma merda, desde a infância o que você teve fácil que marcou sua vida, que você se orgulha? Se você encarar o sofrimento como o caminho que vai te levar até lá, bummmmm, já era, ninguém te segura mais, é capaz até que você pegue o sofrimento e tire sarro dele ou curta e aí não sofra mais.
Estou empolgado pelo Erick Thomas, um famoso palestrante americano dono de uma incrível história de vida. Venho vendo seus vídeos já a algum tempo e hoje tudo isto combinou para eu escrever este artigo.
Obrigado por todas as mensagens, os comentários aqui no blog, definitivamente saber que alguém lê o que você escreve é um dos grandes motivadores, saber que pelo uma pessoa pode seguir coisas que você já testou na vida e viu que deu certo e compartilhou me inspira a querer continuar.
Abração galera,
André Akkari

