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Jogar poker!

Incrível como esta frase mudou de uns anos para cá, vocês não acham?

Eu já tive momentos na minha vida que eu saia de casa e ia jogar poker em um casino clandestino, é isso mesmo, localizado em um bairro luxuoso de SP.
A palavra clandestino remete a algo ruim, do mal, mas não era nada disto, muito pelo contrário, um lugar onde nos divertíamos pra cacete, era risada atrás de risada e muito jogo. Sempre fui super bem tratado e não tinha nem um título de 22 com rebuy naquela época.

Eu, Victor Marques, Vinicíus Marques, Fabião Deu Zebra, por isso tenho tanto carinho por estes caras eu acho. Nunca fomos aqueles amigos de todos os dias estar juntos, crescer jogando bola na rua, mas acho que os laços entre as pessoas são criados principalmente em situações de perrengue, quando você esta passando algum aperto, ou quando a sociedade em geral te julga de forma equivocada e foi assim que eu conheci estes malucos. Isto pra citar apenas três mas éramos vários ali naquele lugar. Uns continuam vivendo de alguma forma do jogo, outros acabaram se afastando porque a preguiça por evoluir tecnicamente foi maior que a vontade de vencer, sem falar em outros que simplesmente abandonaram, cansaram, mas poucos, pouquíssimos ficaram e viram o poker vencer. Rodrigo Zidane foi um deles, desde lá de trás evoluindo, enfrentando o dia a dia cruel do jogo e pondo pra frente, merece respeito.

Outros tentaram de diversas formas aproveitar a onda que era apenas uma marola naquela época, montaram clube, federação, bar, time, tentaram jogar, e nada, nada funcionou. Já desde aquela época o poker era bem claro, ele já se distanciava dos jogos de azar e dos jogos clandestinos, só iria ficar quem fosse muito inteligente e profissional, empenhado e honesto, o resto iria cair.

Hoje estou aqui em Barcelona, pensando na vida já que estou de molho com uma puta febre desgraçada, uma gripe bem forte, por sinal incrível como as gripes ficam mais forte conforme os anos passam, sim, eu sei, é velhice, mas pensando aqui com os meus botões e realizei que estava pensando seriamente em jogar o High Roler e o Super High Roller, vou acabar não jogando, mas tive o mesmo sentimento de quando eu saia de casa para encontrar esta galera citada acima na JK para jogar o evento de terça feira de 200 reais, era um momento único, as pernas bambeavam, esta sensação é boa demais, e o sentimento que me dá agora no momento é de pura vitória, estou tendo esta mesma sensação de 2006, em 2014 para jogar um evento de 25 mil euros, pqp!

Quanto mais você vai ganhando experiência você percebe que a vida não te leva para lugar nenhum, é você que determina tudo, você manda na sua vida de ponta a ponta. Mesmo quando fatores randomicos te atingem você ainda tem todas as decisões do que fazer na sua mão, como na mesa de poker. Fold, Call, Raise? Sempre você no comando, e a sua decisão vai nortear todo o seu sucesso ou fracasso nos próximos minutos, horas, dias, meses ou anos, é deste jeito mesmo!

Entretanto a maioria da população não vê o mundo desta forma, não é incrível? Acha que tudo é o destino! É uma força maior que diz o que vai ou não acontecer com você. Nunca concordei com esta ideia e nunca vou concordar, vou até o fim fazer o meu destino, da forma que eu achar mais correta, mais bondosa para mim e para as pessoas que me cercam.

Cheguei a uma conclusão muito prazerosa hoje conversando com o pessoal do PokerStars, acho que não existe no mundo inteiro um outro jogador de poker que tenha ajudado a forma tantos profissionais assim no mundo como eu fiz, e de repente, quando voltei para o quarto, vi que esta conversa foi uma das que mais me deu prazer na vida, formar jogadores, espalhar o sonho, criar mecanismos de pessoas conviverem em uma sala, em um sítio, seja lá qual escola for, e trocarem informações a ponto de no ano seguinte estarem sustentando suas familias diante daquela experiência que eu ajudei a construir. Por isso hoje tenho tanto orgulho de caras como o Leonardo Bueno, Piero Queiroz, Pedro Padilha Victor Begara, Moraes, além de sermos um time em constante formação, consegui ajuda-los a entender o prazer de formar outras pessoas, além da própria vontade de evoluir como jogador, me sinto um propulsor deste pensamento e nada me da tanto prazer.

Passaram pelo QG sem contar a turma do próximo dia 29 mais de 500 alunos, e vendo o gráfico condensado de todos tiram-se todas as dúvidas sobre a nossa missão, nenhuma fofoca, nenhum pensamento invejoso ou pessimista pode superar o que construímos e vamos continuar construindo, jogar poker é do caralho demais e sabemos como jogar e ensinar, queira você ou não!

Caras como estes que eu citei acima são as pessoas que de fato eu sou grato, nem sei se a gratidão é recíproca entre todos que passaram pelo QG mas a minha é verdadeira, inclusive para os irmãos Marques e a Zebra, apenas como exemplos, são estes caras e os que me cercam até hoje que me ajudaram nesta caminhada e me ajudaram a me formar como a pessoa que sou, nem melhor nem pior do que ninguém, mas muito feliz com o resultado, e com isto devo citar que minhas filhas vão levar o legado que estes caras me ajudaram a formar, passo para elas todos os dias coisas que aprendo com os que me cercam, mas aprendo mesmo, não fico de conversinha furada como muitos por aí.

Vim para Barcelona para jogar poker e é isto que vou fazer, mas saiba você que chegou agora neste esporte, que a expressão “jogar poker” já teve que ser falada de quebrada, com a boca semi aberta, se não éramos vistos com maus olhos, pelo menos em 2006 era assim. Hoje não, hoje por incrível que pareça me pedem autógrafo e foto até na Espanha. Bizarro a que ponto levamos este esporte diante do que ele era a 10 anos atrás.

Este post é apenas um pensamento que tive aqui no quarto trancado e uma forma de agradecer Victor Marques, Vinicíus Marques, Leonardo Bueno, Piero, Igor Federal, Headão, Moraes, Padilha, Zebra, e todos os outros que sabem exatamente do que eu estou falando.

Grande abraço,
André Akkari

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