Este é o primeiro de uma série de artigos técnicos um pouco mais avançados que vou escrever aqui no blog.
Serão temas que tratamos a fundo no nosso curso mensal do QG e trataremos ainda mais profundamente no QG Poker Series que é o nosso curso avançado que estréia em poucos dias somente para jogadores que já participaram do curso mensal.
Entretanto, sempre tenho a política de dividir o máximo de conhecimento possível para que o poker no Brasil ganha o maior alcance técnico e com isto coloquemos o esporte em um outro patamar.
Vamos falar hoje de RAISE. Obviamente RAISE siginifica aumentar, subir uma aposta.
Nestes anos de estrado pude chegar a clara conclusão da diferença que o amador trata esta ferramenta e o profissional.
Primeiro vamos a visão do amador quanto a em quais situações ele dá raise.
A situação mais clara onde um percentual absurdo de jogadores que estão começando agora dão raise é quando acertam algo. Isto, o cara tem AJ e o flop vem J high ele dá raise. Amadores pensam nisto automaticamente, hora porque realmente querem ganhar mais fichas e acham que esta é a única forma, e hora porque morrem de medo de tomar uma bad beat, ou que bata flush, ou coisas do tipo, então optam por raise.
Não estou dizendo que dar raise com jogo seja ruim em, não me interprete mal, estou apenas relatando a diferença da concepção das duas mentes para jogar poker.
Outra situação onde amadores dão raises mas não é tão rotineira são os semi belfes. Não são muitos que fazem isto mas alguns, principalmente os mais agressivos ou os que já tem um pouco mais de tempo de jogo, dão raise com por exemplo duas pontas e flush draw, ou um dos dois, algo deste tipo. Isto pq este tipo de amador já chegou a conclusão que já não é tão básica que dar raise com semi belefe pode resultar em ganhar o pote maior quando bate e as vezes ganhar potes bons quando não bate.
O amador que esta um passo atrás ainda fica com medo de fazer esta manobra, por que? Simplesmente porque ele acha que é mais barato, menos nocivo ao stack dele somente pagar e ver se acerta, caso não acerte ele parte para a próxima.
Este é o resumo da filosofia do amador bem amador mesmo e do cara que esta começando a migrar para uma filosofia de jogo mais lucrativa.
Agora vamos a visão profissional, e a real razão para eu escrever este artigo, no intuito de querer que vocês evoluam no jogo, que vocês procurem outras formas.
O profissional da raise por diversos motivos, não somente aqueles dois dos amadores. Vamos aos principais;
Dar raise siginifica em muitos casos ganhar mais fichas, muitas vezes que sentimos que o nosso jogo é forte o suficiente, MAS o do nosso adversário também, e mais fraco do que o nosso, fazendo com que ele não consiga largar a mão, damos raise. Isto faz com que as nossas situações de valor sejam otimizadas ao máximo.
Situações como o mesmo top pair de J que citei acima no texto, mas que dentro do range de cartas possíveis do nosso adversário tenha mãos que o nosso J esta ganhando, mas por exemplo draws que ele não conseguirá largar, ou under pairs que ele não vai foldar, então damos raise.
Isto significa que todo top pair damos raise? É claro que não, apenas quando tudo se encaixa como eu citei para vocês.
Profissionais dão raises com semi blefes? Sim, claro, muitas vezes, outras não. O que depende para tomarmos a nossa decisão? Quais são as possíveis cartas que o nosso adversário possui. Se ele tem a situação do caso explicado acima, é melhor não dar raise concorda? Pq se estamos em semi blefe e nosso oponente tem um range muito forte que NÃO vai largar, então porque tentar dar raise de semi blefe sabendo que só ganharemos se acertarmos?
O raise no semi blefe funciona se caso o oponente tem um range fraco, mais ainda assim, que nos ganha, e que pode largar.
Outra situação que o profissional dá muito raise e nesta vaga os amadores não se encaixam é quando o nosso oponente não se encaixa perfeitamente em mãos de valores com aquela textura daquele específico flop, turn ou river, entendem?
Situações que sabemos que podemos causar dor de barriga nos outros, e faze-los abandonar suas mãos, mesmo que muito fortes sejam, então damos raise.
Esta ferramenta não se encaixa no jogo de amadores na maioria dos casos, e deveria.
Quando você dá raise, ou check raise, ou qualquer raise, você coloca na cabeça do seu oponnte que agora sim, você tem algo forte, e ele deve tomar cuidado. Se você só faz isso com top pair ou draws, você não balancea o suficiente seu jogo para ganhar fichas em diversas condiçòes onde os outros não ganham e é daí que nascem os gráficos deficitários.
Fica meu conselho para vocês repensarem as situações em que vocês dão raise. Não de raise por medo, não de raise porque seu oponente pode acertar mãos e isto te prejudicar, de raise pelas razões corretas e seja lucrativo.
Vou escrever uma série de artigos nos próximos dias técnicos como este, simples, rápidos, mas que efetivos para colaborar com o crescimento do seu jogo, se você curtiu deixe um comentário aqui no blog e opiniões sobre os próximos assuntos.
Grande abraço,
André Akkari

