E aí galera! Curtiram a WSOP ao vivo?
Pois é, eu adorei o show, a transmissão também foi demais, camêras, gráficos novos na tela, cada vez a coisa esta evoluindo mais entretanto que nooooojo do nível técnico.
Ontem fui repreendido algumas poucas vezes dizendo que eu não poderia criticar tanto assim a qualidade das jogadas, que não fica bonito eu falar isto na televisão e coisa e tal. O caceteeee, eu acredito que as pessoas estejam assistindo justamente para ouvir um comentarista que fale o que realmente pensa diante da sua experiência. Ficar elogiando um show de horror daquele é abrir mão de uma grande oportunidade de mostrar para o povo que gosta de poker quais são os erros mais comuns de jogadores sob pressão em retas finais, como o poker pode ser bonito por este lado, como ele mexe com a cabeça das pessoas. Eu gosto de ver estas coisas, o que está por trás das situações que se apresentam.
Os erros foram tantos, tão simples de serem vistos que eu ficava com vontade de gritar no microfone, mesmo eu tentando me controlar ao máximo as vezes eu não resistia.
Falta de criatividade e coragem talvez tenham os maiores “macro” erros.
O que mais me deixa triste era a quebra de expectativa, todos achavam que seria uma das mesas finais mais sinistras de todos os tempos. Jogadores evoluindo durante a competição, jogando pra frente e técnicamente bonito de repente se apequenaram de forma cruel.
Tenho certeza que este break de 6 meses foi muito prejudicial para o nível técnico. Acho que quando os caras estavam ali na reta final em julho, estavam tão envolvidos com o jogo e já tão dentro do contexto que a mente humana esquece do que é a realidade, de que tipo de competição eles estavam disputando. Eis que você dá 6 meses para todos verem a situação de fora, acho que aumenta a pressão de uma forma que tirou aquela certa “irresponsabilidade” relativamente bonita de se ver.
Os pontos negativos mais pesados na minha opinião começam com os erros do Newhouse, jogando acuado, pra trás, tendo a oportunidade mágica de dobrar, dobrando e fugindo do jogo sem nenhuma tentativa de acumular fichas sem cartas, roubo de blinds, nada! Newhouse já chegou declarando que jogava pelo dinheiro e não pelo bracelete isto é um tell que vai mirar na premiação, fugir do jogo, não agir tecnicamente com perfeição e sim orientado pelos valores, só podia dar no que deu, feiura!
Brummelhuis também não trouxe nada para a mesa final, apareceu quando o baralho quis que ele aparecesse, e só. Mesmo assim, quando veio com o seu AA e coisa e tal fez questão de procurar as formas mais discaradas de avisar seus oponentes disto. Na mão que foi eliminado demonstro sinais claros de falta de paciência e inteligência que merece uma reta final destas. Caiu de 99 para AA mas sem usar nenhum pedaçinho do tempo para pensar, simplesmente tampou o nariz e pulou.
McLaughlin assassinou o jogo. Bateu todos os recordes de calls fora de posição, de equívocos pós flop, e como jogar fichas fora. Entretanto, deveria estar no Heads Up tamanha foi a ajuda que o baralho o ofereceu, mas ele foi uma das melhores provas que o poker é um jogo de habilidade, mesmo sendo favorecido pelos deuses do poker ele conseguiu não chegar. Óbvio que não estou falando do KK para AA, sem saída para qualquer jogador naquele momento mas sim das outras dezenas de mãos jogadas de forma terrível. Foram incontáveis as mãos que ele defendeu blinds e foldou para cbet, sinal claro de fraqueza no jogo de poker.
JC Tran foi o que me deixou mais triste. Não porque deixou um jogo fraco na mesa, ele até que jogou normal eu achei, mas longe de ser o JC Tran, o monstro, um dos melhores jogadores que eu já vi jogar. Eu espera mais criatividade dele, mais coisas que até para narrar ficaria difícil, se tem um cara que pode criar esta situação este é o Tran. Na mão mais declaradamente equivocada dele eu tenho quase certeza que a edição da ESPN errou na hora de digitar, um SB x BB que ele foldou um QJ com 10 blinds, ou por volta disto, duvido que ele faria isto. A comunidade de poker no twitter foi toda na mesma linha de pensamento, todos achando que a ESPN errou ali, agora vai saber! Acredito que conforme a mesa foi andando e ele completamente card dead, sem ver jogo nenhum, ele foi perdendo a pegada, aquele que vinha com ele no começo do evento e assim seu jogo foi diminuindo de qualidade. Mesmo assim ele mostrou controle emocional para tomar as atitudes que mais achava correta a todo momento mas não as mais brilhantes. Não estou falando que ele tenha jogado mal em pessoal, não me entendam errado, só não foi o grande JC Tran na minha opinião, e acho que ele também sentiu isto na entrevista da sua eliminação.
Dentro desta análise resta a maior feiura de todas, depois deste vem os pontos positivos, mas o francês Loosli revoltou todos que gostam deste jogo principalmente nas redes sociais. Ele por duas vezes tentou ludibriar seus adversários com uma ação chamada de “angle-shooting” onde você indica que está dando call na aposta de outra pessoa mas propositalmente coloca um pouco a mais de ficha. Ele um pouco mais é um valor que ultrapassa o limite que mantém aquela ação em CALL e a transforma em automático RAISE, sendo assim a ação volta para o seu oponente que pode ver o jogo de um outro prisma, do prisma de um erro inocente vindo de você e aí podendo cometer um erro de 4bet. Na primeira tentativa de “angle shooting” dele, ele tinha KK. Declaradamente uma mão de valor absoluto, uma mão forte. Ele sabe que todos na mesa estão buscando informações da transmissão com suas torcida no local, portanto ele sabia que alguém iria avisar que ele tinha KK naquela tentativa porca, e depois de um tempo ele tenta a mesma coisa mas desta vez blefando a mão. Ou seja, em a pessoa sabendo que na primeira ele teria feito isto com uma mão muito forte, facilitaria o fold do oponente na segunda tentativa, maiores as chances de o blefe passar.
Ações deste tipo deixam todos indignados porque não faz parte do jogo, não é da parte técnica do jogo. Você erra e conta com aspectos que não os técnicos para tentar alavancar fichas. O poker assim como todas as atividades possuem seus códigos de ética bem definidos, é um jogo de gente séria e isto todos condenam. Você pode até achar que não é tão grave mas para mim que defendo o jogo pleno, eticamente correto, condeno sim este tipo de ação, me dá nojo. Sem contar que ele apresentou um futebol fraco demais também quando tentou jogar poker.
Daí pra frente aparecem os pontos a se orgulhar desta mesa final. Subestimei o Lehavot, não achei que ele fosse jogar tão pra frente, e jogou. Fez tudo o que tinha que fazer e infelizmente para ele apanhou do baralho em alguns potes cruciais mas tenho certeza que vai ficar feliz quando ver tudo o que fez em casa. Jogou com estratégia, paciência e balanceando com agressividade quando necessário.
Benefield para mim foi o mais perfeito de toda a mesa final. Diante do stack que ele começou jogou a todo momento como deveria jogar um campeão. Foi pra cima sem medo, se meteu nas confusões que precisava se meter e ainda teve tempo para foldar mãos que nem todos foldariam. Eu já esperava um grande poker dele e ele superou as expectativas.
Riess também foi muito bem, mesmo eu ainda achando erros estratégicos onde muitas vezes ele fugiu demais do jogo, desapareceu em momentos que declaradamente ele poderia acumular fichas sem muito esforço, ele resolveu sentar nas fichas e esperar, quando jogou teve postura, teve técnica, e pouco a pouco foi se posicionando para ter a possibilidade clara de título. O baralho o ajudou bastante também, deu potes que geram confiança nos momentos cruciais, até mesmo quando perdeu potes logo em seguida já recuperou em outros ainda maiores com o baralho armando para seus oponentes. Acho que ele tem muito boa chances de soltar o braço neste heads up e marcar seu nome na história.
Mas o grande destaque para mim vem do amador Farber! A partir do momento que o cara se posiciona como host de balada em Las Vegas e no seu currículo de tela de ESPN onde nos outros jogadores aparecem 12 títulos, 3 milhões em premiação, no dele aparecia dono de um Camaro, ele já manda o recado que está sem responsabilidade profissional, que o mundo esta dando um grande presente para ele. Mesmo assim, ele trouxe com ele, como técnicos monstros do poker, no seu rail tinha Shaundeeb, Ben Lamb, Tom Dwan, e ele mostrou que tem capacidade total de aprender. Em alguns momentos seus instintos amadores vinham a tona e ele dava calls em 3 bets para foldar no flop e coisas deste tipo mas na maioria ele foi o que mais saiu pra jogo, acelerou, criou, pressionou. Fico imaginando quais foram os conselhos destas feras e penso que sempre são voltados para as situações macros, coisas do tipo “Tribet aquele cara, vai no blind do outro, aperta este ou aquele!”, e ele tenho certeza que ele ouviu e seguiu as instruções.
Acho que não somente o seu stack que é grande mas também enfrenta um bom stack do outro da mesa, mas seus técnicos e sua capacidade de entendimento, sendo que ele durante toda a mesa final foi o que mais foi buscar informações na arquibancada mas principalmente com a sua própria capacidade de jogar poker é na minha opinião o favorito ao título. Poker é técnica, não necessariamente para profissionais, mas quando esta técnica aparece fortemente em momentos de pura pressão com este fica difícil de perder.
Uma das maiores belezas do poker é esta possibilidade de alguém que não vivi do jogo se preparar, se dedicar e bater em um profissional e eis que a situação está exposta novamente, pode acontecer de novo! Moneymaker foi assim e revolucionou o poker mundial, quem saber Farber não de a sua contribuição.
Mesmo Riess tendo chances claras de título minhas fichas vão para o Farber!
Nos vemos a meia noite, hoje, desta vez na ESPN internacional, vamos ver juntos mais um momento histórico do poker mundial!
Mandem suas perguntas no twitter com a hashtag #wsopnaespn e vamos interagindo. Ontem colocamos por diversas esta tag nos trend topics e vamos fazer isto hoje de novo, é o poker explodindo no Brasil e no mundo!
Abraços galera!
André Akkari
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