E aí tudo bem pessoal? Agora com mais tempo posso contar para vocês como foi o Congresso de ontem com mais calma!
Pois é, participei deste interessante debate que envolve tantas camadas da sociedade à tanto tempo e me empolguei para escrever um artigo sobre isto aqui no blog.
O jogo no Brasil deveria ou não ser liberado?
Quando digo “jogo” quero dizer o jogo de azar e as apostas esportivas!
Não estou me referindo aos esportes mentais pois estes já tem uma posição, pelo menos técnicamente, consolidada no Brasil, o que me deixa muito feliz.
Durante muito tempo venho analisando este assunto já que ele é completamente pertinente ao meu dia a dia. Viajo mais da metade do ano e estou sempre visitando casinos ao redor do mundo, e eis que sempre aparece esta mesma questão nas nossas rodas de amigos e profissionais do poker.
Depois do Congresso de ontem e hoje pela manhã, consegui colher mais informações sobre os estudos que amparam as campanhas para a volta dos jogos no Brasil e com isso começo aqui no meu blog uma reflexão sobre este assunto. Por algum tempo me propus a realmente estudar sobre o assunto antes de emitir minha opinião, sempre soube que é um assunto muito importante dentro da nossa sociedade, mas depois de me aprofundar um pouco mais consegui formar uma ideia sólida de qual caminho deveríamos seguir, na minha humilde opinião é óbvio.
Definitivamente a minha posição é completamente a favor da liberação dos jogos para a iniciativa privada, 100%.
Já que no Brasil o jogo de azar já é liberado para a Caixa Ecônomica Federal certo?
Esta minha posição não nasceu depois do Congresso de ontem e sim à muito tempo atrás, quando realmente comecei a embalar nesta minha profissão e analisar o que acontece nos outros países, quais os argumentos contra e a favor do jogo no mundo e no nosso país e questionar pessoas importantes no exterior.
Formei minha opinião entretanto gostaria muito de discutir com vocês esta questão que julgo ser de grande importância para o crescimento do Brasil nos quesitos turismo, social, cultural entre outros.
Para começar a minha análise quero repassar um dado que chega a assustar quando apresentado;
– O Brasil é um dos únicos países do mundo em que os “Jogos” não são liberados, junto com o Brasil encontram-se apenas os países: Butão, Liechtenstein, Iceland, India, Islândia e Israel. Tirando estes somente os de natureza islâmica por motivos religiosos. Mesmo assim, o jogo já está em processo de aprovação na Islândia e na India.
Daí já começa a se tirar a base para argumentação. Tá certo que não vamos discutir no formato “se todo mundo faz, devemos fazer”, não somos Maria vai com as outras, mas pera lá né! TODOS OS PAÍSES DO MUNDO já enxergaram os benefícios de entretenimento, diversão, cultural desta atividade, não é possível que estejamos vendo isto com os olhos corretos.
Agora vamos aos principais motivos que fazem com que os jogos não sejam incorporados a um país segundo os estudos apresentados em ordem decrescente;
5 – Preocupação com o aumento da prostituição
4 – Preocupação com o aumento do número de compulsivos e custos de seus tratamentos
3 – Falta de preparo para fiscalização e agência reguladora
2 – Lavagem de dinheiro
1 – TIRAR DAS MÃOS DO GOVERNO OS JOGOS DE AZAR E LOTERIAS
Pois é, é isso mesmo, a maior preocupação quando se discute jogos de azar em países onde estes não são permitidos é justamente tira-los das mãos do Estado, tirar a possibilidade da máquina manipuladora do Estado de operar da forma que eles bem entenderem, sem fiscalização, sem qualidade, sem entretenimento e principalmente sem gerar nenhum benefício a população derivado desta atividade.
Vocês não acreditam de fato que a MEGA SENA seja um jogo de habilidade certo? Em sendo assim, vocês não acreditam que ela gere mais chance aos seus participantes do que uma roleta ou um black jack correto?
Dito isto, vamos as argumentações sobre os outros fatos que não o mais podre deles que é deixar este abuso na mão do Estado.
Você sabia que apenas 2,23% das pessoas que passam dentro dos Casinos em Las Vegas possuem algum tipo de compulsão?
Exatamente isto, 2,23% é muito pouco, mesmo assim, são organizadas campanhas rotineiramente para ajudar estas pessoas a procurar orgãos preparados para recebe-las e tratarem de seus problemas, que não necessariamente estão relacionados ao jogo podendo estar relacionados a diversos outros tipos de compulsão como sexo, academia, cigarro, bebida e etc.
Outro dado muito interessante que ajudou a formar a minha opinião nos últimos anos sobre este assunto é que 64% das pessoas que diariamente visitam casinos nos EUA nem sequer jogam, apenas utilizam-se de todos os outros benefícios de entretenimentos que estes ambientes oferecem como shows, restaurantes, boates e etc.
O entretenimento noturno ligado aos jogos são os maiores propulsores em todos os países onde estes jogos são liberados dos elementos culturais, o faturamento de Las Vegas desde 2010 já é maior com shows e restaurantes do que com os próprios jogos. Isto gera uma força para a cultura brasileira que nunca veremos ser dada por Governo nenhum, infelizmente. Não que apenas porque nosso Governo não apoia a cultura devemos apoiar a liberação de algo nocivo, entretanto, o jogo é um entretenimento e não algo nocivo para a sociedade e ainda impulsionaria de forma acelerada as nossas manifestações culturais.
O jogo nos EUA é controlado basicamente por enormes fundos de investimentos, fundos de previdência, de trabalhadores, entre outros, e com isso movimenta absurdamente a economia do país gerando uma massa absurda de investimentos em turismo para diversas localidades. Com estes investimentos regiões que sofreriam demais com desemprego, falta de desenvolvimento acabam gerando opções maravilhosas para seus moradores. Eu morei em Las Vegas e pude atestar isto com meus próprios olhos. Os cidadãos de Las Vegas tem uma qualidade de vida absurdamente boa, centros esportivos públicos em todo canto, qualidade na saúde, asfalto bem cuidado, centros de atendimento ao cidadão de primeiro mundo para emissão de qualquer tipo de documento, sistema de segurança eficiente, a polícia em Las Vegas é de fato muito competente.
É claro que Las Vegas é Las Vegas mas quem disse que o Brasil não tem uma capacidade ainda maior que a deles de gerar algo muito melhor. Las Vegas é no meio do deserto, sem beleza natural nenhuma, o Brasil nem precisa falar né! Um país abençoado com as mais fantásticas praias e rico em qualquer tipo de beleza natural que tem em diversos lugares destes um fracasso completo no seu turismo, vide a Costa do Sauípe, um lugar que tinha tudo para ser fabuloso está lá caindo aos pedaços. Não estou especulando não, estive lá agora a pouco e dava dó de ver.
Querem mais um dado assustador?
O Brasil movimenta 18 bilhões de reais por ano com jogos clandestinos à mais de 40 anos, sem o Governo arrecadar sequer 1 real com isso para gerar benefícios para nós, enquanto o estudo mostra que o país teria o potencial para movimentar 74 bilhões de reais por ano caso o jogo fosse legalizado e regulamentado, aumentando de forma avassaladora a arrecadação de tributos e transformando isto em mais uma fonte de benefícios para nós brasileiros.
Portanto, não estamos falando da liberação dos jogos no Brasil, não sejamos infantis e hipócritas, estamos falando da regulamentação e privatização do jogo no Brasil.
A Caixa Economica Federal já explora o jogo de azar no Brasil, só não sabe como fazer isto com qualidade, ela poderia muito bem sair do papel de má administradora para o papel de reguladora, ser o banco ou órgão responsável para licenciar estes jogos e empresas nacionais e internacionais. Com isso, ela própria com certeza arrecadaria muito mais verba.
Se eles iriam gerar isto da forma correta ou não aí já não temos como saber, aí é culturalmente a forma brasileira de acreditarmos que não, mas a esperança é a última que morre, entretanto, aumentar sua arrecadação, gerar benefícios para a população e servir com qualidade de verdade, não qualidade MEGA SENA, seria perfeito.
Mesmo assim, acredito que ainda caberiam algumas vírgulas nesta regulamentação, deveria se dar prioridade a paraísos turísticos fazendo com que os impostos gerassem proveitos para lugares com maior necessidade. Costa do Sauípe seria um exemplo ideal. Isto porque precisaríamos aprender a regular, aprender a lidar com esta nova atividade. Leis severas e regras taxativas seriam necessárias com a seriedade com que o assunto é tratado nos EUA. Compromissos de investimentos em cultura, no social, tudo isto faz parte dos planos de ação do Governo para com as gigantes empresas explorados destas atividades ao redor do mundo. O Brasil aprendendo a fazer seria fantástico.
Alguns falam que a Igreja no Brasil é contra! Poxa, sério mesmo? Só no Brasil a Igreja é contra? O mundo inteiro possui esta indústria, somente no Brasil a Igreja é diferente? Na Europa inteira a atividade de casino é completamente regulamentada e gera benefícios em todos os países, dos mais aos menos católicos, aqui no Brasil é outra história?
Resumindo, chega de hipocrisia, chega de o negativo só ser negativo enquanto não beneficia quem manda. O Brasil precisa andar, precisa dar passos largos rumo a modernidade. Chega de turismo falido, de aeroportos deploráveis, de tudo o que atrasa o nosso país. Temos que nos juntas aos grandes e fazer bem feito.
O papo de compulsão e prostituição é de todas as baboseiras as maiores, comprovadas, a prostituição no Brasil é monstruosa, com os jogos ela não aumentaria e sim com o turismo maior ela aumentaria, entretanto, teríamos mais verba para criar campanhas que diminuísse esta atividade, a compulsão é mínima e já existente, cai no mesmo caso, iríamos trabalhar com inteligência para diminuir ou controlar mas isto sempre irá existir, com ou sem jogos, lembre-se dos 18 bilhões de reais movimentados clandestinamente no nosso país citado ácima, sem campanhas, sem jogadores anônimos, sem nada!
O Brasil está atrasado demais em diversos itens e talvez este seja um dos mais notórios e declarados quando nos comparamos com as grandes potências mundiais. Chega disto! Não digo que você deva ser a favor do jogo, da cerveja, da droga, da acadêmia, do sexo, ou de seja lá o que for, mas por favor, vamos aprender com os grandes e competir de igual para igual, vamos adotar medidas inteligentes para nossos problemas e aproveitar com qualidade as soluções de turismo e entretenimento, chega de se fingir de bobo ou criar pensamentos de massa que na verdade só ajudam corruptos e incompetentes, vamos dar alternativas para milhões de brasileiros que hoje viajam para fora e deixam dinheiro em outros países, não só com jogo mas com jantares, Cirque Du Soleil, etc, chega galera!!!
Já que o jogo de azar no Brasil já é liberado e FAZ TEMPO, vamos fazer com qualidade e beneficiar a nossa população, nossa cultural e nosso turismo.
Lembrando que isto não tem nada a ver com o poker, o poker habita outro cenário, apenas levanto este assunto como cidadão e porque achei que fosse o momento diante do grande Congresso que aconteceu ontem na Barra da Tijuca no Rio de Janeiro debatendo tudo o que aqui está envolvido.
As coisas com o poker vão muito bem obrigado, inclusive aconselho vocês a lerem um artigo que um Delegado Federal, Dr Braulio Melo escreveu em um dos mais conceituados blogs de Direito do Brasil. Dr Braulio é um simpatizante do poker, entende perfeitamente a natureza do nosso esporte e está super entusiasmado em fazer o esporte crescer no nosso país, sem preconceitos, sem demagogias, apenas entendendo verdadeiramente o que este esporte significa e o que ele pode trazer de benefícios para o Brasil.
O Brasil precisa aprender a lidar melhor com a modernidade, globalização, precisamos acelerar o nosso entendimento sobre o “novo”, isto é evolução, assim faremos um país muito melhor para os nossos filhos e netos.
Ahhhh e antes que alguns me critiquem, odeio jogo de azar, fico em Las Vegas 2 meses por ano e não me tomam nenhum um dólar, nem roleta, nem bacarat, nada! Apenas uso e abuso de jantares bons, shows como o do Michael Jackson que é fenomenal e etc!
Grande abraço galera, e simbora para Punta de Leste!
André Akkari
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