E aí pessoal, tudo bem com vocês?
Já a algum tempo venho pensando nas coisas que aconteceram no Brasil, de uma forma macro, tanto do lado político quanto do lado esportivo.
Como jogador de poker, sempre tento achar o famoso “metagame” das coisas, metagame dos relacionamentos entre pessoas, metagame dos competidores, do comportamento das massas, das empresas, em tudo existe o tal “metagame”.
A definição para este conceito é um pouco subjetiva mas considere que é você pensar além do que simplesmente se apresenta a sua vista, pensar o que as outras pessoas estão pensando, o que passa na cabeça dos outros, ou mais cirurgicamente, o que os outros imaginam que você esta pensando deles e por aí vai. Você pode subir em diversos degraus no “metagame”.
Algumas coisas aconteceram nos últimos meses no nosso país que eu tento achar uma conexão para saber se nosso povo esta mudando, se estiver, para melhor ou para pior, e acabei chegando a algumas linhas de pensamento que gostaria de dividir com vocês.
Vamos ao caso do nosso futebol, assunto pelo qual sou apaixonado então toda hora estou tentando entender este universo paralelo.
O Brasil foi o time que menos correu nas semi finais da Copa, fato divulgado em diversas mídias. O Brasil correu 533km somando-se todos os jogadores, quem mais correu foi a Alemanha com 576 kms, ou seja, uma diferença de 43km, sendo que um jogador como o Messi correu 41km. Chegamos a conclusão fácil que o Brasil jogou praticamente com um a menos. Isso se não formos considerar casos como o Fred que correu pouco menos de 7 kms sendo que o goleiro da Alemanha correu quase 6.
Fazendo uma outra pesquisa, praticamente 100% dos Brasileiros correram quase dobro em momentos decisivos de suas carreiras em 2013 do que o que correram na Copa do Mundo. Por que o Paulinho correu 30% a mais no jogo Corinthians x Vasco na Libertadores do que em um jogo da Copa do Mundo? O que mudou? Libras?
Em resumo, o que te motiva? O que motiva as pessoas em geral? Não é estranho em 2013 com parte dos brasileiros torcendo para estes jogadores eles tenham se esforçado infinitamente mais do que quando praticamente todos os brasileiros estavam gritando seus nomes? Portanto, o que motiva estes caras?
Nos últimos anos indiscutivelmente o Brasil tem uma condição melhor do que no passado, as pessoas tem mais dinheiro, mais condições, independente do porque isto acontece porque não estou entrando em nenhuma ênfase política, apenas metagame estratégico.
Será que o brasileiro, com uma condição melhor hoje, perdeu a raça?
No ano passado o povo foi para as ruas, lutou pelos seus direitos, fez um barulho que se espalhou pelo mundo, e mais uma vez nada mudou, o esforço foi quase em vão, será que por isso perdemos a raça?
A todo momento, em todos os tipos de governos e controles públicos espalhados pelo país somos assaltados, a corrupção impera e o brasileiro não reage, será que perdemos a raça?
Me deixa muito triste estas análises mas eu realmente acho que perdemos a raça, perdemos aquele que era o nosso diferencial. O Brasil sempre teve talento próprio, criatividade, mas que nascia muito da nossa necessidade de improvisar, da nossa necessidade de ter que criar algo do nada, de repente eu acho que nos dando um pouco de condições acabamos perdendo aquela magia.
É óbvio que não em todas as áreas, nem em todos os esportes, mas tento enxergar o geral. O Basquete nunca foi berço de grandes conquistas mas a duas semanas atrás perdemos um jogo de semi final contra a Venezuela de forma catastróficas, de um jeito que não deveria ser, nosso jogador recebeu a bola, bateu, perdeu sem ninguém encostar nele e lá se foi a chance de vitória. A Venezuela gritou, chorou, vibrou e no final levou. Uma cena clássica de falta de garra, se aquele bola valesse a vida não escapava de jeito nenhum, e me parece que um dia já foi assim.
O brasileiro na Copa do Mundo foi para os estádios e cantou, mas cantou baixo, tomou baile da Argentina, da Colombia, isso aqui no Brasil. Um povo mucho para uma seleção ainda mais triste. Preocupados com “selfies”, aparecer na tv, com gritos que pareciam dublagens.
Chego a conclusão que diante de condições precárias que os brasileiros recebem para exercer suas carreiras de atletas, sem apoio, sem investimento na base, nossas chances de vitória por técnica apenas são minúsculas e agora sem aquela raça que nos caracterizava, sem aquele talento nato de criar e executar na hora decisiva, penso que estamos condenados a longos anos de tristeza esportiva.
E não analiso isto no formato de “pimenta no dos outros é refresco”, e no poker, o que nos motiva? O que me motiva? Será que não sofro do mesmo mal? Será que sem fazer uma auto análise apurada e ter um forte preparo psicológico eu mesmo não sofro do mesmo mal? Pois é, este é o tipo de auto análise que faço a todo tempo. Minha missão hoje em dia é ter a plena certeza do que me motiva, do porque faço o que faço. Minhas fillhas? minha familia? um carro novo? ajudar os outros? O que me motiva e o que te motiva?
Só penso que a vida sem garra é pobre, a vida sem raça para querer vencer é muito chata! E sem auto analise é ainda mais chata …
Acredito que você a todo tempo tem que procurar motivos nobres, que realmente mexam com o seu coração para serem locomotivas de motivação, se as peças deste quebra cabeça forem ligadas a dinheiro, acho que você sempre irá falhar, sempre! E é o que realmente eu acredito que parte do nosso povo seja motivado, inclusive nossos atletas.
Eu admito 100% que o Brasil perca de 7 a 1, acontece, mas não admito que as veias dos pescoços dos nossos jogadores não estejam pulando para fora de tanto gritar um com o outro, não explodir em berros de incentivo, ou no caso do basquete, pode-se errar, é claro, mas não sem surtar.
O que acredito que seja um grande “tell” de que a motivação tem muito mais a ver com dinheiro do que com qualquer outro ponto é exatamente o conformismo, pra que ir para a rua lutar contra a corrupção se hoje tenho uma tv legal em casa, pra que chorar e gritar no meio campo se este tormento esta acabando e vou voltar para a minha mansão na Inglaterra com meus carros de luxo, pra que? Por que correr mais?
Vídeos na concentração de crianças chorando, de pessoas gritando, de gente torcendo não funciona mais, não motiva mais, pelo menos é o que os resultados mostram quando a motivação é mais financeira do que inspiracional, do que o desafio.
Faço da minha vida um laboratório, vi que dentro das empresas em que participo, pessoas que antes estavam no sufoco da construção tinham uma raça infinita e depois que chegamos lá, perderam um pouco aquele brilho no olho, é natural do ser humano eu acho, mas não dos surtados, e faço disto uma missão para empolgar e colocar fogo o tempo todo para que elas voltem a ter aquela sensação de desafio e crescimento que nos levaram ao sucesso.
E daí que vem a minha maior motivação na vida, formar mentes vencedoras, inclusive a minha, estou completamente viciado em formar times e indivíduos vencedores e acho que estou em um caminho de felicidade total e que me agrada e excita demais. Viajo nesta quinta feira para Barcelona focado nisto, focado em me preparar mentalmente não para ganhar mas sim para ir ao extremo, ao meu máximo, talvez por estar tão focado em aprender a ensinar na WSOP não dei meu máximo e sendo assim um viciado como eu neste assunto não dormi mais tranquilo desde então, enquanto não chegar a próxima viagem e eu ir com força mental total para o meu desafio eu não voltarei a dormir bem.
Por isso o poker é o melhor esporte do mundo para mim, ele me testa todos os dias, me testa mesmo sem estar jogando, me testa ensinando os outros e discutindo com os parceiros, tudo faz parte de um teste emocional e técnico enorme, por isso tenho tanto tesão neste jogo. Isso sem contar que através dele você pode ver realmente quem são as mentes preparadas para vencer, preparadas para o sucesso. Você em uma mesa de poker detecta personalidades, quem é corajoso, quem é irresponsável, quem é medroso, quem tem atitude, tudo!
Mal sabem os outros atletas o quanto eles estão perdendo de não usar as técnicas de um jogador de poker nas suas estratégias esportivas e motivacionais. Vou longe nesta história e podem crer que em breve estarei treinando mentalmente equipes de poker como a nossa, equipes de futebol, basquete, empresariais entre outras.
Me sinto ultra preparado para este desafio e aos poucos este tipo de trabalho se espalhando o tesão cresce ainda mais.
Vocês conseguem enxergar o tamanho do preparo psicológico que um jogador de poker tem que ter em um momento decisivo? Um blefe em uma mesa final gigante, onde você tem que pensar qual o melhor caminho, qual o melhor valor, qual a melhor cara que você vai fazer para tirar seu oponente do pote, pensar, pensar, pegar as fichas e buuummm executar, e depois olhar para dentro dos olhos dos seus oponentes o tempo que ele definir e não piscar, não deixar nada tirar os olhos da sua presa? Pois é, poucos tem isto, mas são os poucos preparados, eles tem realmente algo diferente, eu sei o que é, portanto meu desafio é me preparar cada vez mais e preparar cada vez mais pessoas.
Isto é o que me motiva!
Minhas filhas me motivam, minha familia, meus amigos, as pessoas que hoje dependem de eu trabalhar bem, mas o desafio me motiva mais, muito mais. Não significa que eu não ame os anteriores, não tem nada que eu mais ame do que a a minha familia, mas para eu executar meus desafios elas não estão em risco, estão seguras, felizes, o que faz com que se o foco total for nelas naturalmente eu não de mais 100% como dei no passado, porém o desafio não, o sentimento de querer ser melhor amanhã do que hoje, com estudo, técnica gera definitivamente raça, muita raça. Foco na felicidade das pessoas que estão ao seu lado, foco no esforço do seu time, na recompensa de ver todos vibrando, coisas como estas sim, motivam!
E se eu estiver certo, como trazer a raça de volta ao brasileiro em geral? Somente a vontade de ser melhor salva! Somente a loucura, o surto, para querer vencer a todas as batalhas quem se aproximam podem trazer nosso povo novamente a situação vencedora, em batalhas internas e externas.
Não dá para aceitar em um povo com tantas pessoas inteligentes sermos roubados pelos nossos governantes, faça alguma coisa, publique algo todos os dias, pendure a bandeira do Brasil na sua janela, escreva textos e divulgue para seus amigos, twitte, coloque fotos de corruptos no seu instagram os criticando e principalmente, seja honesto, ignore e deixe seus amigos corruptos saberem que você tem repulsa aos seus atos, se você conhece alguém que se beneficia de dinheiro público não aceite, não saia para comer pizza com eles, não converse como se fosse normal. Não precisa sair matando ninguém ou entregando ninguém mas faça a sua parte, converse com a pessoa e faça ele saber que você tem vergonha dos seus atos. Não tem como o Brasil mudar se nós mesmo não mudarmos. Eu já a algum tempo venho agindo desta forma, de uma forma ativa a este tipo de atitude e venho intensificando cada vez mais. Isto me motiva.
Desta forma eu acredito que vamos retomar a nossa vontade de vencer, retomar a nossa raça, o que nos diferenciava dos outros, e que na minha opinião, no geral, perdemos.
Quem tem os desafios muito claros continua arrebentando, o caso do tenista Bruno Soares, focado, estrela máxima em um esporte que o Brasil ignora, que a mídia não publica, mas nada tira ele do eixo, continua entrando em quadra com sangue no olho e perdendo ou ganhando dá o seu máximo a todo tempo. Nesta linha de pensamento esta semana venceu de novo, cravou! Tenho orgulho de ter conhecido este brasileiro que defende nosso país no mundo todo e levanta nossa bandeira. E a seleção de volei? Grita, chora, vibra, solta o verbo na rede na cara das adversárias, é um show do cacete, mas não sei se de volei, porque na verdade não entendo muito mas de raça, de querer vencer, isso me excita e brilha meus olhos.
Na semana passada conversando com um policial amigo, honesto, ele me relatava que tem momentos em que ele acha que a luta contra a desonestidade e a corrupção parece perdida, sente que estes vermes estão em todos os lugares, entretanto, disse que quando ele começa a pensar assim desliga uma chave na cabeça e continua focado na sua batalha, por mais que ele saiba que sendo honesto as portas se fecham, ele não cresce na carreira, ou pelo menos demora mais, e mesmo assim não perde o foco, continua batalhando, pelo menos continua tentando amanhã ser melhor que hoje, este é o espírito que temos que ter para sermos um brasileiro melhor, uma pessoa melhor. Imagina se um policial que vive dentro deste meio tão contestado, tão cheio de dúvidas e corrupção, consegue seguir dando exemplo, porque nós nas nossas empresas e esportes haveríamos de não conseguir?
Ainda temos “outs”, só precisamos começar a jogar melhor, sermos melhores pessoas, sendo um melhor cidadão eu acredito que a nossa raça voltará e nossas vitórias aparecerão.
Valeu galera, e para quem não gosta me desculpe por estes artigos de filosofia barata mas aqui é o ambiente onde curto expressar estes meus pensamentos que para mim são profundos kkkk
Ahhh, antes de acabar, duas coisas, a primeira é pedir perdão pelos meus erros de português, normalmente não leio tudo de novo, não sou jornalista nem escritor, apenas blogueiro de brincadeira, segundo, quero agradecer a empresa Speedy Tour pelo patrocínio para Vegas, foram super bacanas em apoiar nosso esporte, valeu a pena demais. Fim do nosso período de patrocínio com eles e esta semana ainda anunciarei um novo patrocinador que fechamos para a minha carreira e estou muito feliz, um produto irado demais que já estou usando aqui em casa.
Grande abraço galera,
André Akkari
TEAM POKERSTARS PRO
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