E aí galera, tudo bem com vocês?
Acabei de chegar em casa voltando do Panamá e durante o voo onde escrevi mais dez páginas do livro que estou fazendo em parceria com o monstro Bruno Laurence fiquei pensando em algo que nunca tinha me atentado nestes quase nove anos de carreira. Ontem estão os negros deste nosso esporte?
Seria o poker um esporte segregador?
Em um torneio de poker, em qualquer lugar deste mundo que eu participe, dificilmente eu vejo um jogador negro, existem, mas é algo muito raro de se ver.
Mas vamos falar somente de Brasil onde 51% da população é de negros e pardos, quem são os grandes nomes negros que temos neste esporte aqui na nossa terra?
Não é assustador isto?
Acabei de assistir o filme 42 que conta a história do primeiro jogador negro a ingressar na liga de baseball americana, liga esta formada exclusivamente por brancos, isto acontecendo por volta de 1947 e nós aqui em pleno 2013 praticando um esporte em franco crescimento, explodindo no Brasil, um país negro e não temos quase nenhum jogador negro entre nós, que coisa bizarra!
É claro que graças a Deus o nosso esporte não tem nada de racista ou segregador, ele é apenas um indicador, não separa ninguém por cor, credo ou qualquer outra diferenciação mas ele na minha opinião serve como uma grande mostra da situação do negro no nosso país. Quais são as bases sociais e econômicas do Brasil em que vivemos?
Se acharmos que para jogar poker precisa-se de dinheiro grande então pra que ficar fazendo artigo “Como virar um profissional de verdade!”? Dá pra nascer no poker como os jogadores nascem no futebol, na raça, no estudo e dedicação. Então cade os negros?
Se na nossa roda de amigos, nos restaurantes que frequentamos, nos clubes que jogamos poucos são os negros quem dirá em um torneio de poker hoje em dia certo? Tem algo errado aí!
O mais surpreendente desta história é que nos EUA é exatamente a mesma coisa e um dos maiores ídolos do esporte por lá ou até no mundo inteiro é justamente o Phil Ivey, um negro que simplesmente comanda todas as habilidades desta atividade como nenhum outro.
Sempre fui da opinião que diferenciar qualquer pessoa pela cor da pele é de uma imbecilidade tão grande que chega a me dar nojo porém fingir que as pessoas não fazem isso e que negros tem as mesmas oportunidades que brancos no Brasil também é de uma outra boa dose de ignorância.
Tenho um irmão negro e ser ou não me sangue não fez dele 1% menos ou mais meu irmão, pelo contrário, sempre tivemos uma relação de orgulho um pelo outro entretanto quantos tiveram as chances que ele teve do acaso bater a sua porta, ou ao seu berço e o incluir em um cenário mais honesto socialmente ou mais justo do que os da maioria da sua cor?
Fico triste, muito triste que tenhamos tão poucos negros no poker, gostaria que não fossemos uma das ferramentas ou indicadores de algo tão deprimente no nosso país, mas infelizmente somos, retratamos uma realidade cruel.
Penso que talvez poderíamos fazer algo para inserirmos mais negros no nosso esporte, quem sabe vagas nos times, cotas no QG, não sei, algo, mas pelo menos estaríamos fazendo alguma coisa que os nossos podres representantes não fazem em sua grande maioria para diminuir esta diferença social e econômica entre negros e brancos no Brasil e convocar um futuro onde todos estejam juntos e misturados como diz a gíria da Zona Leste onde de fato mais se misturam as duas raças.
Se eles não estarem no poker é o retrato de um aspecto social e econômico triste entre nós, talvez tenham muitos negros que hoje joguem freerolls e grindem valores micros que talvez tenham potencial para serem grandes talentos e ao gerarmos condições, aumentaremos as possibilidades de uma tendência a um equilíbrio, mesmo que isto seja um processo que deva durar 200 anos, pequenas atitudes criam possibilidades futuras na minha opinião.
Bom final de semana a todos, volto com meu blog na segunda feira e preparem-se para ver a pancadaria na reta de domingo, o Brasil vai fazer um mega estrago, eu já estou preparado para entrar em campo com tudo!!!
Grande abraço,
André Akkari
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