E aí meus amigos e amigas, tudo bem com vocês?
Aqui estou curtindo junto com a esposa os últimos dois dias de folga, já no dia 2 retorno para São Paulo e começa uma série de grandes eventos e ações tanto do meu patrocinador PokerStars como em relação a regulamentação e principalmente como jogador profissional.
Queria neste artigo colocar para vocês um pouco de como foi debatido e concluída a estratégia para a formação do SP Mets aqui em Los Angeles. Foram muitos dias discutindo e ponderando qual seria a melhor forma de montar este primeiro time da franquia paulista para alcançar a melhor formação dentre todas as possibilidades.
Meu primeiro plano foi dividir a responsabilidade com algumas outras pessoas, isto não era para fugir dela pois saberia que a tomada de decisão final iria passar pela minha mão mas sim porque aprendi na vida que quanto mais você busca informação com que entende muito do assunto mais perto do cenário ótimo será o seu resultado.
Convidei duas pessoas, o Leonardo Bueno que é comandante do Akkari Team, especialista na análise gráfica de jogadores e formação técnica destes e o Rafael Moraes que é sócio proprietário do 4Bet o maior time de poker da América Latina se não do mundo. Com certeza estes caras passam no dia a dia problemas e acham soluções que iriam ajudar demais na formação do SP Mets por isto optei por este caminho.
Tínhamos a sexta colocação no Draft, por isto tínhamos algumas informações já garantidas, por exemplo, que Roma iria escolher o Mustafá. O cara vem arrebentando em todos os High Rollers, ganhando live e online e o Max não poderia escapar deste nome. Daí pra frente tínhamos simulações e outras certezas, uma das simulações era que Montreal poderia pegar ou Timex ou Fedor, e que depois passando por NY, SF e Las Vegas, um deles pegaria o Jason Mercier.
Durante o pré draft eu fechei acordo com diversos jogadores na possibilidades de draftalos, Jason foi um deles, mesmo sabendo que poderíamos estar drawing dead, combinei com ele que se chegasse em GAP eu o pegaria e ele ficou super feliz. Outros nomes que fechei o mesmo acordo foi Phill Galphond, Antonhy Gregg, Byron Kaverman, Darren Elias, Olivier Busquet, Elky, Eugene, Mike Leah, Jeff Gross, Thimothy Adams e Anthony Zinno. Os brasileiros eu acabei não fechando acordo pois saberia que as chances de eles serem draftados eram muito pequenas e assim eu acabava ganhando como freeroll o nome deles nos rounds seguintes.
Assim que o Draft começou fomos surpreendidos logo de cara, sabendo que o Jason não chegaria optamos pelo primeiro round pegar o Phill Galphond, ele foi super simpático no primeiro contato, gente boa demais, e um monstro, além disto eu tinha certeza que ninguém pegaria ele antes de nós, chances remotas pelo menos. Entretanto, quando o Faraz subiu no palco e anunciou o nome do homem ficamos assustados.
Existem jogadores bons, bons de verdade, que são aqueles cujo você olha o gráfico e são indiscutíveis, e existem aqueles famosos que parecem bons mas que não se compararam aos primeiros, no Brasil também é assim, as vezes você vê um grande nome e sente que ele é conhecido mas o falta resultado de verdade, falta lucratividade, quando você vai pesquisar aí sim você realiza que é apenas nome.
Darren Elias é um dos nomes que todos os grandes jogadores do mundo sabem que não possui marketing nenhum, ou muito pouco, mas é bom de verdade, monstruoso. Ele vem aterrorizando o poker online por muitos anos e no ao vivo também esta cheio de resultados. Quem é regular de MTT caro na internet sabe do que eu estou falando. Então dos caras que realmente são muito bons como managers eu sabia que o nome do Darren era prioridade, Faraz, Brynn, e a Maria Ho se caso pegasse um nome forte como primeiro round seria orientada ao Darren na segunda e aí perderíamos o homem. Entretanto, fiz uma grande pesquisa sobre o Byron.
A conclusão que cheguei foi que a galera não curtia muito ele pois ele ficou conhecido por demorar demais para tomar as decisões, o próprio Negreanu foi um que o criticou bastante, além disto, sua solidez de resultados não era o suficiente para ele ser da “panela” dos caras, dos outros managers, então eu precisava decidir qual dos dois teria mais chance de voltar para o segundo round e pegar o outro no primeiro.
Da outra lista que faltavam de nomes que eu havia conversado, um nome forte era Anthony Zinno, mas que para a minha surpresa também foi pego antes.
Um dia antes do evento começar o Elky entrou em contato comigo dizendo que seria um prazer enorme jogar por SP mas que se desse ele preferia jogar por Paris por motivos óbvios, como Elky é muito meu amigo, de longa data já, resolvi não considera-lo também no primeiro round mas sabendo que outros grandes nomes estava disponíveis. Elky era um nome que não voltaria para nós pois Paris falaria duas vezes antes.
Então, eu Bueno e Rafa decidimos ir no Darren na esperança maior que Byron voltaria para o segundo round simulando quem a Maria Ho poderia escolher.
Porém, quando chegou nossa vez, para a nossa surpresa, Fedor Holz, nome que eu tinha certeza que sairia antes de nós, não tinha sido pego. Eu não entendi nada, o moleque é o maior fenômeno do poker mundial, e ainda estava livre. Por coincidência ele estava sentado atrás de nós, atrás do Bueno. Chegou minha vez e eu o chamei dizendo que eu iria drafta-lo, para a minha surpresa ele pediu que por favor não o fizesse e deixa-lo para a Maria Ho. Depois fui saber que ele fez o mesmo pedido para o Faraz Jaka, esta era a razão de ele não ter sido escolhido até então.
Pegamos o Darren Elias sabendo que em condições técnicas estávamos tomando com certeza a melhor decisão naquele momento. Muitos contestaram o porque não pegar o Urbanovitch, também era um nome monstruoso mas que não vejo tanta solidez como no Darren, sem contar que o Darren demonstrou um grande interesse em jogar no Mets o que nos deixou ainda mais empolgado.
Agora era aguardar e ver se o Byron chegaria para o segundo round, a dúvida era na Maria Ho, mas passou liso por ela e então nosso segundo draft foi tranquilo, pegamos simplesmente o Player of The Year de 2015 e sólido desde 2013 com inúmeros resultados e além de tudo pessoa já do nosso relacionamento.
Agora vinha a maior de todas as dúvidas, quem pegar, um dos nomes como Shannon Shor, Anthony Gregg ou algo assim, ou ir para o Brasil e pegar Thiago Decano.
Esta foi uma das maiores discussões que eu lembro de ter participado nos últimos anos, eu, Rafa e Bueno discutimos isto dias e dias. Meu maior medo era o seguinte;
No afã de não fazer um time bairrista com muitos brasileiros nós acabássemos sendo fator de injustiças em relação a estes mesmo brasileiros, explico, talvez no cenário internacional um nome como Mike Leah seja mais famoso que o Thiago Decano, entretanto, eu como jogador profissional de poker, sei de coração que o Decano é melhor que muitos destes caras, Shorr, Leah, e outros ali da lista, quanto ao Anthonny Gregg talvez aí eu ache que o Bthere.com esteja a frente do nosso brasileiro mas era o único. Para a sorte do japa, o Gregg foi pego antes e aí fomos apoiando não a um brasileiro e sim a técnica mais apurada de verdade, Decano é melhor jogador que eles e ainda bem que é o do Brasil.
Para o quarto round o resultado foi o mesmo, também acho que Simão seja melhor do que todos os restantes, na cabeça dos gringos pareceu que eu escolhi naturalmente dois brasileiros, mas eles vão cair da cadeira, os dois são realmente muito bons tecnicamente e em diversos aspectos com mais experiência e know how do que a maioria dos gringos da lista no round 3 e 4.
Muitos falaram nas redes sociais porque não pegamos fulano ou ciclano, galera, eu falei sobre a regra do Draft aqui e nas redes sociais dezenas de vezes. Yuri Nerd Guy, João Bauer, Kelvin entre outros não estavam na lista dos draftavéis, infelizmente, precisava estar entre os 1000 primeiros colocados do mundo, e se estivessem teriam que ter aplicado para a lista. Yuri e Bahia eram os únicos que estavam mais não preencheram o formulário, o resto não poderiam entrar.
Dois brasileiros estavam na lista também, Felipe Mojave e Nicolau Vilas Lobos. Ambos excepcionais jogadores, com muita experiência internacional. O fator decisivo para optar por Decano e Simão, eu acho que conhecem bem os quatro me dá razão, boa parte da competição será online, o Moja não tem este retrospecto ainda na carreira, não formou seu jogo nas mesas digitais, me parece que agora esta bem mais empenhado inclusive conseguindo ontem um 18th no Sunday Million, e o NIco tem alguns grandes resultados online, talvez até o maior dentre todos os brasileiros mas também não tem a rotina que Decano e INeedMassari possuem. Mojave é reconhecido mundialmente pelo seu PLO, infelizmente também não teremos PLO na GPL, não no primeiro ano.
Chamar quaisquer dois dos quatro significaria não errar em nenhum momento, os quatro são muito bons e não é toa que estão no TOP 1000 do mundo, mas acho que ainda Decano e Simão estão um passo na frente.
Por outro lado, acho que tanto Mojave quanto Nico tem qualidades extras que o Simão e Decano ainda não possuem, eles são mais bem relacionados com a mídia em geral, se expõe mais e por isso se tornam maiores embaixadores do jogo o que é algo que deveria ser bem considerado para o GPL, por isto a decisão foi difícil demais. Decano esta hoje em dia em um momento da carreira maravilhoso, inclusive se empenhando demais no marketing e em dividir conhecimento com seus cursos, Simão também, Mojave e Nico representam seus patrocinadores com muita qualidade e entregam resultados, a coisa foi bem complicada mas acho que no conjunto da obra acabamos tomando a decisão mais correta.
Agora começa a guerra do Wild Card. O Wild Card é o direito de convidar alguém que não esteja entre os TOP 1000, ou que esteja mas não tenha sido draftado por ninguém, portanto, Moja e NIco voltam para a briga, Yuri e Bahia não podem participar. Mas entram para a briga todos os jogadores do Brasil que não estão top 1000, celebridades, pessoas importantes do cenário do poker mundial e por aí vai.
Qual a nossa estratégia?
Antes de tudo quero conversar bastante com o time, ver o que Byron, Darren, Decano e Simão acham disto tudo, depois se fechar na sala com a nossa comissão técnica, Bueno e Rafa e aí tomar a melhor decisão.
A GPL esta decidindo quais serão as obrigatoriedade do wild card, se eles precisarão jogar todos os eventos, se podem jogar apenas um evento, isto muda bastante coisa em relação a chamar uma celebridade por exemplo para impulsionar a liga, se o wild card vai ter uma característica mais marketeira ou ultra técnica de jogo. Se chamam Neymar’s da vida ou Phill Ivey’s, conforme a GPL derem o cheio de como será a nossa decisão irá se encaminhar para isto.
Espero que vocês tenham gostado de saber os bastidores do Draft, e curtido a nossa estratégia para a primeira formação do SP Mets. O calendário de competições ainda não foi anunciado, nem a data do anúncio do Wild Card mas acho que este sai até final de março e o calendário começará em meados de abril, mas mantenho vocês informados.
Grande abraço a todos,
André Akkari
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