Quando eu entrei no mundo do esports vindo do poker, eu fiquei surpreso com muitas coisas, positivas e negativas. Sendo muito sincero, em termos de intensidade as negativas foram mais impactantes do que as positivas mas o que também mostrava uma oportunidade gigante.
É consenso que esports é o entretenimento do futuro, por alguns princípios bem básicos.
O primeiro é que o esporte como um todo é a forma de relação humana mais excitante para o mundo junto com a música e o cinema de maneira geral, porém, o esports, tem muito mais que esporte. O esports vem com uma capacidade de adpatação ao gosto das pessoas que o esporte não possuí. Através de dados, as publishers e game developers conseguem fazer de forma dinâmica e rápida coisas que o esporte tradicional não consegue, mas tem um fator ainda mais pontente.
O esports vem acoplado, é uma mochila do “gaming”. Você gosta de música mas não é musíco, você gosta de cinema mas não é ator, você gosta de esportes tradicionais mas não é tão simples de jogar basquete e futebol, mas games, esquece! É a maior população do planeta.
Isto faz do esports o futuro.
Quando montamos a FURIA, montamos para ser um time de counter-strike. Foi a primeira idéia que me foi apresentada pelo Guerri, depois chamei o Jaime e o Cris, para ver o que eles achavam sobre “montar um time de counter-strike”. Era o que passava pela nossa cabeça limitada naquele momento.
No meio da jornada, fomos percebendo coisas mágicas.
A maior delas foi, o jovem não ouve mais ninguém, não quer saber de palestras motivacionais, não quer acompanhar política, e temas sociais são chatos e desmotivacionais para eles. O jovem quer digital, o jovem quer tiktok, youtube, twitter. O jovem quer ver tiro porrada e bomba. Generalizando é óbvio. Mas …
Quando você tinha um time de counter-strike, e se você performasse, e no ato de você performar, você cutucasse a juventude com perguntas, conteúdos e ações fortes, como por exemplo “a batalha por mais pretos nos esports!”, eles te ouviam, interagiam, e ali você tinha uma chance de sensabiliza-los e conscientiza-los. Se você tivesse streamers gerando conteúdo 24 horas, que apresentassem diversidade, inclusão e vira e mexe tocassem nestes temas, o jovem ouvia, interagia, discutia e se conscientava, no habitat natural deles, com o linguajar deles, de forma orgânica.
Isto é a FURIA, isto foi o que fez a FURIA virar uma potência de verdade. Em cada ação, seja no debate de time de counter-strike, na formação de time de LOL, no elenco de streamers, nas mensagens das campanhas, nas contratações internas, na expansão internacional, na escolha dos modelos da nova coleção, tudo se transformou em “como podemos ganhar voz, para usa-la no impacto da conscientização de jovens pelo planeta sobre temas importantes como o combate ao racismo, a homofobia, o impulsionamento da mulher na sociedade entre outros”.
Este virou o manifesto da FURIA, virou nosso “porque” existir, e aí a coisa pegou fogo.
Primeiro porque isto dá um tesão absurdo nas pessoas que trabalham.
Ganhar dinheiro, ter remuneração, ações, e etc é tesão demais, mas fazer tudo isto com um propósito foda é surreal, faz você acordar todo dia diferente, a pegada é outra. E dá, dá pra trabalhar, ganhar dinheiro, buscar ficar bem de vida, com propósito.
Segundo porque as pessoas hoje em dia estão em busca deste propósito. Mesmo que suas atenções estejam no digital, nos apps da vida, elas querem, mesmo que de forma subconsciente, propósito. Não querem ver o mundo ruir.
Terceiro, porque não existem marcas que decidem, não existem patrocinadores que decidem, existem pessoas por trás destas marcas que decidem. Este “porque” da FURIA existir excita todo mundo, todos querem estar juntos.
A FURIA hoje tem sete grandes patrocinadores e discussões com pelo menos mais cinco grandes marcas que querem se conectar e viver esta cultura. As marcas que estão conosco tem uma taxa de renovação bizarramente alta, ninguém quer largar o osso. As empresas parceiras tem seus produtos e serviços, mas dentro da raíz dos seus posicionamentos, tem propósito e isto bate na veia com FURIA.
O mundo do esports no geral falta propósito. Jogar League of Legends não é propósito, é meio. Poucas empresas no esports mundial conseguiram ter um porque existir, por isto estamos vendo casos tão terríveis de desconstrução. São muitas as orgs sendo desfeitas e ruindo.
Elas achavam que o jogo era captar dinheiro infinito, fazer coisas bonitinhas para os jovens, gastar dinheiro de forma completamente irresponsável e continuar este processo. Não, não é. Por trás disto, sem propósito, as receitas não vem, e o que você prometeu para os seus investidores não acontece.
Marcas querem se conectar com culturas, com posicionamentos parecidos e atrelados aos delas. Marketing é uma das ciências mais poderosas do mundo, pode ser usada para qualquer fim, mas quando estudada de forma potente, é incrível. Fazem trinta dias que estou fazendo um curso de marketing em uma das maiores universidades do mundo que toda aula que assisto eu fico sem dormir a próxima noite.
São muitas as orgs que sem nenhuma batalha cultural, nem nenhuma razão maior para se fazerem valer, vão falir. Jogar por jogar não é para onde o mundo vai. Outras vão explodir, como já está acontecendo.
O porque você existir não necessariamente precisa ser algo inclusivo, diverso, socialmente impactante, precisa sim ser objetivo, claro, direto, que gere valor para as pessoas, que faça com que fãs e marcas se aproximem de você orgânicamente e intensamente.
Por que ganhar é importante? porque ganhar dá voz! Mas sem saber usar esta voz, sem saber o que falar, você não vai a lugar nenhum. Portanto ganhar é meio, não é fim.
Na FURIA tentamos ganhar? porra, somos viciados, isto na pessoa física e jurídica mesmo! Lembre-se, sem ostentar, eu ganhei 275 torneios na minha vida, campeão mundial, peguei 750 mesas finais, ganhar é uma busca incansável pra mim e vai ser para o resto da vida, até eu ficar com 100 anos e vou chegar lá, eu vou tretar no par ou ímpar. Mas aprendi o que dá pra fazer com isto como eu nunca soube antes, a partir da FURIA.
E já ganhamos coisa pra cacete em múltiplas lines. Sei que a galera do CS fica em cima, “mas não tem major! e bla bla bla”, não tem major porque não tinha que ter mesmo, nunca foi o momento óbvio de ter, se tivéssemos ganhado o major no Rio teria sido zebra. A FURIA tem 5 anos e meio, e nunca teve o melhor time do mundo.
A FURIA tinha que ganhar o que ganhou e tinha que perder o que perdeu. Temos boas chances porque temos monstros conosco, Ks, Yuri, Art mas não é fácil achar outros assim não. Conforme a maturidade vai chegando, as decisões vão melhorando, as alterações vão se encaixando, existe a possibilidade de começar a ficar mais claro que sim, tem que ganhar, mas ainda não está nesta fase, infelizmente.
Eu sei, eu sei, que você acha que sabe qual seriam as mudanças que fariam isto acontecer, mas confia em mim, você não sabe, poucos sabem, e para realiza-las é quase impossível, mas vamos em busca.
Mas mesmo no CS ganhamos muitas coisas nos momentos que de fato, tínhamos que ganhar. Mas sem ganhar o major, e ganhando apenas os que podíamos ganhar, em todas as lines e conteúdos, conquistamos voz, e com esta voz fizemos coisas muito bonitas e vamos fazer muito mais.
Óbviamente a troca de um jogador, a eliminação de um torneio, o ganhar ou perder, fala infinitamente mais alto do que qualquer uso de voz para temas sociais, e nem temos a expectativa que não seja assim, o importante é o movimento continuar impactando.
Dois dias atrás soltamos um post no instagram sobre o mês do ORGULHO LGBTQIAPN+, e o resultado foi bombástico. Pessoas fantásticas celebrando o fato de termos coragem na manifestação e mostrarmos como de fato a FURIA pensa. Por outro lado, uma quantidade de hate absurda de pessoas que ainda não conseguiram chegar lá, o que está tudo bem, uma coisa eu tenho certeza, gerou debate.
Nos escritórios, nas pizzarias, nos almoços corporativos, as pessoas falaram sobre isto, umas condenaram, outras apoiaram, outras debateram as opiniões de cada um. Ou seja, DEU NOIX. É para isto que estamos aqui e a missão foi cumprida. Causar!
Os ataques vem de qualquer maneira, mas não temos o mínimo problema com isto. Tem coisas que tem debates, opiniões, tem coisas que não.
O direito a liberdade do indíviduo, a não opressão, um mundo mais equilibrado com empatia, um mundo melhor é indiscutível. E dentro de casa fazemos isto sim, fazemos melhor, contratamos melhor, promovemos o bem mas também abrimos as asas e provocamos a sociedade, e assim vamos continuar a missão FURIA.
Agora estamos em alguns grandes debates internos. Grandes oportunidades de entrarmos em esportes e esports, projetos gigantencos de expansão no Brasil nos próximos anos com testes que fizemos internacionais, alterações e melhorias nas lines que já possuímos, e o CSGO é o protagonista agora do debate na categoria performance, e por aí vai, a jornada FURIA continua.
Bora falar de CS! Como sempre fizemos por aqui, pegamos um problema grande e quebramos ele em pedaços porque fica mais fácil de resolver. Precisávamos de um alinhamento ao CSGO interno, antes de ver as possíveis alterações ou não que poderiam ser feitas. Todos precisariam estar na mesma página, criar cenários de possibilidades que agradassem os que inquestionavelmente querem estar juntos.
Sentamos todos na mesa em diversas reuniões, e como sempre aconteceu, com inteligência, alinhamento e carinho uns com os outros, criamos os cenários misturando a busca por potência para tentar nos colocarmos em posição de vitórias, ganho de ainda mais voz para continuarmos impactando e satisfação na jornada das pessoas que fazem a máquina andar.
Temos no momento alguns cenários potentes possíveis. Alguns já saíram do plano. O mercado de CSGO brasileiro em termos de multas foi para um patamar inacreditável, não julgando, só relatando. Então mudanças para alguns nomes brasileiros que poderiam ser grandes promessas para o futuro, parcialmente ficaram inviáveis, pois não tem chances de cometermos nenhuma irresponsabilidade. Não é isto que a torcida quer, os fãs, os colaboradores, e quem é impactado pela FURIA. Fazermos dívidas, em atletas que ainda precisam se provar em tier 1, e quebrar a empresa porque fomos irresponsáveis, isto nunca vai acontecer.
As buscas internacionais são muito mais impactantes em termos de performance e mais realistas ou responsáveis em termos de valores, então sim, é uma opção.
Existe também a possível busca por grandes nomes do passado, como sei que todos pedem o Fallen, e com razão, o Fallen é o CSGO nacional, é a figura mais emblemática da história do jogo que todos nós amamos. Misturar a experiência incondicional com jovens talentos, é um grande plano da FURIA, isto aumenta a taxa e evolução. Nunca tivemos bala ($) para isto, mas sabemos que este momento vai chegar, não sei se já será agora.
Já tivemos histórico negativo na FURIA com o Fallen mas em momentos diferentes, situações diferentes. Sentar com o Fallen e acreditar que isto é possível passava pela superação deste passado. Isto creio que já aconteceu na última semana entre nós, a reunião com ele ainda não.
Um debate de performance que ainda vai acontecer depois que sentarmos com ele, e um alinhamento de futuro também vai acontecer, sem isto nada será possível.
Já marcamos uma reunião com ele nas próximas duas semanas. Sim, a vontade do debate para entendermos como ele ve tudo isto e como a gente vai se sentir, existe sim. Sem contar o respeito por tudo o que ele fez também existe indiscutivelmente.
Boa parte dos fãs pedirem Fallen na FURIA e nós não tentarmos ver as possibilidades seria até ridículo. Então vamos sentar sim, mas se todas as variáveis vão se encaixar eu não sei. Caso não de certo, podem ter certeza que foi muito debatido, sem contar que óbviamente não depende só da FURIA. Fallen é um ícone, muitas orgs o querem.
No passado eu já havia comentado, mas poucos lembram. Se não fosse o time da SK, Fallen, Taco, Fer, Fnx e Cold, a FURIA provavelmente não existiria. Não porque eles fizeram algo direto, mas porque eu comecei minha jornada de entendimento para decidir entrar neste cenário conhecendo eles aqui em Vegas onde estou agora, e depois o Guerri me apresentou um arquivo de power point do que viria a ser a FURIA. Se eles não tivessem sido tão legais comigo naquele momento, me mostrado tudo e se não fossem tão grandes com tudo que ganharam, provavelmente eu não teria me empolgado, nem o Jaime, nem o Cris, nem mesmo o cenário brasileiro seria tão empolgante.
O lado negativo da história sim também é impactante, mas só se resolve com seres humanos evoluindo, sentando, abrindo seus corações e buscando o melhor para todos. Olha que coincidência, isto vai acontecer novamente em Vegas, onde tudo começou.
O cenário de apostarmos em novos talentos, das mesmas perspectivas que vieram KS, Yuri e Art também é possível. Quando digo isto, parece que é uma vontade minha né? não, é um debate deles próprios, confiem. Sentamos todos na mesa aqui na FURIA.
A tése principal nossa é de tanto reconhecimento por KS, Yuri e Art que não queremos ficar a frente dos sonhos deles em nada, queremos que ele vivam em carga máxima o que eles acham que será este sonho.
Nosso comandante Guerri, o Jaime que é o maior responsável até por podermos debater tudo isto, porque ele é a grande mente por trás desde o começo, eu e os jogadores, sentamos e debatemos por muitas horas. Foram pelo menos 5 reuniões de mais de três horas cada, desenhando cenários. Para cada caminho, analisando os pontos positivos e negativos.
Agora temos uns cinco caminhos pelo menos que eu acho bem potentes. Nenhum deles, infelizmente por multas absurdas, compõe um cenário que todas as variáveis ficam no topo, futuro, experiência, firepower, posições, e etc, mas alguns dos caminhos são os que jogam as variáveis mais para uma média alta, e são estes que vamos buscar.
O debate não para aí não, em busca de voz, o Valorant, o League of Legends, o R1, em todos a busca por esta evolução esta intensa. É conversa atrás de conversa, a porradaria é geral viu, mas é um tesão galera, pqp.
Eu não poderia estar vivendo um momento melhor na minha vida. Tudo é adrenalizante e se não fossem as pessoas que estão do meu lado, talvez tivessemos mais lados negativos que me brocharia mas não, Jaime, Guerri, Cris, e algumas outras potências estratégicas que temos conosco, fazem a jornada maravilhosa demais.
O Guerri é um dos meus maiores orgulhos e referências. Nosso sonho, e torço para que aconteça em breve, é que ele saia do CSGO e cuide de tudo sobre performance na FURIA, já que nosso capitão dos bastidores Jaime está em voos diferentes e mais impactantes coorporativamente.
No caminho tesão que estamos, eu vibro em ver um cara como ele, o Jaime está se transformando em uma das maiores referências do mundo de esports pelo princípio administrativo. As orgs do mundo inteiro hoje veem nele esta referência, isto me dá um orgulho incrível. Ele começou de forma simples, administrando na unha, detalhe a detalhe, uma empresa que faturava vinte mil reais. Ele levou isto ao palco mais foda de esports do planeta, a FURIA hoje é atraçao do mundo coorportativo de gaming, esports e lifestyle graças a ele.
Vamos lá, eu sei que vocês querem novidades né, não me xinguem se não forem as que vocês esperam, saibam que estamos tentando ao máximo, e lembre-se que a sua certeza, é a certeza oposto do tweet abaixo do seu hehehe, em breve eu trago novidades para vocês em todas as instâncias e este ano ainda teremos muitas viu, se preparem.
Grande beijo galera,
Andre Akkari
Deixe uma resposta