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Situação política no Corinthians talvez fosse a única coisa que me faria voltar a escrever no blog.
Situação política no Corinthians talvez fosse a única coisa que me faria voltar a escrever no blog.

Sou fanático, sofro, vibro, já investi uma vida no Corinthians em acompanhar tudo: todas as viagens, todas as tragédias, todos os títulos. Minha família inteira é Corinthiana. Meu pai era fanático. Meu irmão, um psicopata pelo clube.

O sofrimento é parte da nossa história, mas é ele que nos torna ainda mais apaixonados. Mais fiéis. Mais doentes. Mas a real é que grande parte desse sofrimento vem do modelo político que rege o clube. Um sistema que nasceu torto, mas que só agora está mostrando sua verdadeira falência porque os outros clubes começaram a se mexer.

Quando todo mundo é incompetente, a incompetência fica diluída. Mas quando alguns se profissionalizam, viram empresa, estruturam processos, o buraco do Corinthians fica escancarado.

E no caso do Corinthians, o problema é ainda mais complexo, por alguns motivos bem claros:

  1. O clube tem um DNA popular. Isso inibe mudanças radicais como SAFs. A resistência natural da torcida a modelos “privatizados” é grande, e com razão. Quem sairia na frente nesse novo futebol já estaria em vantagem contra um clube que não aceitaria essas transformações.
  2. O Corinthians é do povo e o povo não aceita perder. A cobrança é absurda. Um clube que não quer virar empresa, mas também não admite ficar pra trás, se torna uma bomba relógio.
  3. O Corinthians é do povo, mas o povo é muita gente — o que significa muito dinheiro. E quando tem muito dinheiro envolvido, tem muita gente querendo manter seus privilégios. A estrutura interna resiste porque tem muito interesse pessoal ali. Ninguém larga o osso.

Aí a torcida grita por mudança, por honestidade, por alguém que “entenda de futebol”. Mas essas pautas, apesar de legítimas, não atacam o coração do problema. Honestidade deveria ser premissa. Entendimento de futebol é importante, mas isso se compra — existem profissionais para isso. O que não se compra é modelo de gestão eficiente, transparente, profissional, meritocrático.

A paixão faz a torcida pedir qualquer coisa. Mas, na maioria das vezes, ela não sabe exatamente o que pedir. Eu entendo isso. Eu também sou torcedor. Mas neste momento, sim, o protesto é justo. A manifestação popular é a base de qualquer transformação real. Só é preciso que ela tenha direção.

Então por que estou escrevendo este texto? Porque depois de tantos anos convivendo com o mundo do esporte, no Brasil e no exterior, acho que posso compartilhar algumas ideias que ajudem o Corinthians a encontrar uma saída real, estruturada e duradoura para sua crise. Ou pelo menos, debater com meus amigos Corinthianos.

Vamos aos fatos:

SAF é solução?

Na minha opinião: não.

A SAF pode funcionar para muitos clubes, e está funcionando. Mas o Corinthians tem uma natureza muito específica. Ele pertence ao povo, à massa. A SAF implica lucro e controle nas mãos de acionistas. Para um clube que carrega uma identidade tão ligada à coletividade, à paixão popular, colocar o comando nas mãos de poucos não vai colar. Não é por ideologia, é por perfil histórico e cultural.

Alterar o estatuto resolve?

Sim, mas depende de como.

Mudar o estatuto é essencial. Mas mudar para quê? Aí está o pulo do gato. Existem modelos no mundo que não são nem SAF e nem o modelo político amador que temos hoje. Clubes que encontraram um equilíbrio entre pertencimento coletivo e gestão profissional.

Vou citar dois exemplos:


MODELO BARCELONA – Um passo à frente, mas ainda preso à política

O Barcelona pertence aos seus sócios. São mais de 140 mil torcedores com direito a voto. O clube não tem dono, não tem ações em bolsa, não tem investidores majoritários. É uma associação.

O presidente e a diretoria são eleitos democraticamente. Uma vez eleitos, têm autonomia para tomar decisões executivas. Mas ainda assim, as eleições funcionam como uma campanha política, com promessas, alianças, acordos. A gestão é profissional — sim, existe CEO, CFO, diretor esportivo — mas eles são escolhidos pela diretoria eleita. Ou seja, a meritocracia só entra depois da política.

O clube reinveste todo o seu superávit, não tem distribuição de lucro. Mas como vimos recentemente no caso do Bartomeu, mesmo sem corrupção clássica, o modelo pode gerar decisões populistas e arriscadas que afundam a gestão. O clube ficou com mais de €1 bilhão em dívidas, perdeu Messi, e precisou vender ativos futuros para manter as contas viáveis.

Resumo: um modelo que respeita a torcida, mas que ainda sofre por ter um núcleo político que interfere na gestão.


MODELO BAYERN DE MUNIQUE – O mais próximo do ideal

O Bayern é um clube que não tem dono e não é uma SAF. Mas é gerido como uma das empresas mais eficientes do mundo do esporte.

  • 75% do clube pertence à associação dos sócios.
  • Os outros 25% pertencem a três empresas (Adidas, Audi e Allianz), em partes iguais, mas sem poder de decisão majoritária.

Essas empresas contribuem com recursos e visão estratégica, mas não mandam no futebol. A operação do clube é feita por executivos de elite: CEO, diretores, gerentes — todos contratados com base em mérito, experiência e resultados. A presidência é uma figura institucional. Quem manda mesmo são os profissionais.

  • O clube gera lucro.
  • Não tem dívidas relevantes.
  • Reinveste tudo em estrutura, atletas e categorias de base.
  • Tem metas, auditoria, accountability. Se não bateu a meta, troca.
  • Decisões baseadas em dados, planejamento, visão de longo prazo.

Agora, vem a minha proposta adaptada ao Corinthians:


Modelo Akkari (inspirado no Bayern, mas com alma de Corinthians)

Em vez de vender 25% do clube para empresas, que tal entregar essa participação para o sócio-torcedor, de forma estruturada, séria, com governança?

Essa participação poderia ser tokenizada, auditada (PELAS TOP 4 AUDITORIAS DO MERCADO), blindada contra influência política. O torcedor participa com voto em processos estratégicos, como avaliação de metas, aprovação de contas, e desempenho da diretoria. Mas não interfere na operação diária do futebol. Isso é para os profissionais.

As contas seriam auditadas pelas maiores empresas do mundo. Se a auditoria não aprova, a diretoria sai. Se não bate meta, sai. Abre-se novo processo seletivo para C-levels. E aí sim, os sócios (os do clube + os torcedores tokenizados) votam nas novas opções apresentadas. Tudo com critério técnico. Nada de alianças políticas.

Esse modelo não precisa de SAF. Não precisa de dono. E é totalmente permitido pela legislação brasileira. O que falta? Vontade. E coragem para bater de frente com os que ganham dinheiro no modelo podre atual.

Quem é contra isso? Os amadores, os que vivem de cargo, os que assinam contrato obscuro nas costas do clube. Gente que mama nas categorias de base, nos ingressos, nos camarotes, no merchandise.

Enquanto a torcida acreditar que lucro é pecado e que profissionalismo é frieza, vamos continuar vendo o Corinthians ser engolido por SAFs modernas, por empresas bem geridas, por clubes que aprenderam a viver o futebol como paixão, mas também como negócio sério. O Corinthians tem que ser um NEGÓCIO GIGANTE para o PRÓPRIO CORINTHIANS.

Clubes de futebol tradicionais não são comos as organizações de esports por exemplo, como a FURIA, eles vem de um nascimento completamente colaborativo, da época que não era necessários grandes investimentos, que a coisa era da comunidade de verdade construída em bairros, em esquinas. Isto não se acaba, não se retira da equação, mas EVOLUI. Esta é a evolução do modelo estatutário, esta é a reforma que o Corinthians precisa.

Outros clubes pelo mundo não precisam disto mas a sociedade aceita, Lakers, Dallas Cowboys, Manchester City, United, uns tem ações na bolsa, outros são SAF´s, são privados na totalidade ou em partes, mas clubes com o CORINTHIANS nunca vai ser assim, nunca precisará se a torcida se rebelar e buscar a forma PERFEITA desta evolução. Este seria meu sonho como fanático que sou.

Eu ainda acredito que a Fiel pode exigir isso. Não é utopia. É visão de futuro. Quem sabe, um dia, com meus 50 anos, eu veja um Corinthians que dê orgulho não só por suas vitórias em campo, mas por sua grandeza também administrativa, torcida e dinheiro em volta tem e muito.

Aquilo que parece ser o fundo do poço, é a maior oportunidade na história da instituição Corinthians (by Ueltom Lima)

Abração,

André Akkari

4 respostas

  1. Avatar de Pablo Grenno

    Sou botafoguense e te acho muito inteligente, fiz questão de ler o que vc escreveu, vc eh bem claro nas coisas que vc fala, sou fã!

  2. Avatar de glauber Luz

    Precisamos agir.
    A torcida tem força, mas precisa de direção.
    Se não fosse por nossa torcida, esse clube já tinha ido.
    Vamos pra cima Uelton !!!!

  3. Avatar de thinkerpremium

    Gostei tanto do modelo inspirado no Bayer, mas com o DNA do Corinthians que tomei a liberdade de gerar um possível plano de ação pra isso acontecer via IA:
    **Plano de Ação para Implementar o Modelo Akkari no Corinthians**
    **Curto Prazo (0-6 meses): Mobilizar a Base e Construir Legitimidade**
    1. **Grupo de Trabalho da Torcida:** Criar um comitê voluntário com especialistas (advogados, economistas, gestores clubísticos) e torcedores influentes para estruturar tecnicamente a proposta.
    2. **Plataforma Digital:** Lançar um site com:
    – Explicação didática do modelo (vídeos, infográficos).
    – Petição online por transparência e reforma estatutária.
    – Canal para cadastro de interessados em participar do projeto.
    3. **Pressão Institucional:**
    – Articular com associações de torcedores para exigir reunião com o Conselho Deliberativo.
    – Protocolo oficial de pedido de acesso às contas do clube (Lei 12.852/2013 – Estatuto do Torcedor).
    4. **Engajamento de Ídolos:** Buscar apoio de ex-jogadores e figuras respeitadas na Fiel para dar credibilidade à causa.
    **Médio Prazo (6-18 meses): Estruturar o Modelo e Conquistar Apoio**
    1. **Projeto de Reforma Estatutária:**
    – Elaborar minuta de alteração do estatuto incluindo:
    – Tokenização de 25% do patrimônio.
    – Mecanismos de governança (voto em metas, auditorias obrigatórias por Top 4).
    – Cláusulas de *compliance* e blindagem contra interferência política.
    2. **Modelo Financeiro e Jurídico:**
    – Parceria com fintech especializada em tokenização para desenvolver a plataforma.
    – Consultoria jurídica para assegurar aderência à legislação (CVM, LGPD, Marco Legal do Crypto).
    3. **Frente Parlamentar:** Buscar apoio político para eventuais ajustes legais que facilitem o modelo.
    4. **Campanhas de Educação:**
    – Série de lives/palestras explicando:
    – Como o lucro profissionaliza o clube sem perder a alma.
    – Diferenças entre modelo colaborativo tokenizado x SAF tradicional.
    **Longo Prazo (18+ meses): Implementação e Consolidação**
    1. **Assembleia Geral Extraordinária:**
    – Levar a proposta a votação, pressionando via mobilização massiva da torcida.
    2. **Lançamento dos Tokens:**
    – Processo de *due diligence* e auditoria independente prévia.
    – Venda inicial com limite por CPF para evitar concentração.
    3. **Governança em Ação:**
    – Implantar Conselho de Torcedores com poder de veto sobre:
    – Aprovação de balanços.
    – Metas de desempenho institucional.
    – Destituição de diretoria por falhas comprovadas.
    4. **Modelo-Referência:**
    – Transformar o Corinthians em case global de inovação em gestão esportiva comunitária.
    – Exportar o modelo para outros clubes de raiz popular.
    **Desafios Críticos a Enfrentar:**
    – **Resistência Interna:** Criar mecanismos de transparência radical para expor conflitos de interesse.
    – **Regulatório:** Trabalhar em conjunto com órgãos como CVM para criar framework específico para clubes.
    – **Cultural:** Combater discurso “anti-lucro” com dados de clubes que quebraram por amadorismo.
    PS:
    *”AKKARI, brilhante! A Fiel precisa sair da indignação passiva. Me comprometo a:
    1) Divulgar este plano em redes; Já compartilhei no X.
    2) Contribuir com alguma grana se isso andar, para o fundo jurídico inicial; Depende de alguém tirar isso do papel.
    3) Buscar assinaturas para uma petição. Caso ocorra…
    Quem mais coloca a camisa 12 NESSA LUTA?
    #TokenizaCorinthians #ModeloAkkari”*

  4. Avatar de ALEXANDRE
    ALEXANDRE

    Eu te pergunto , qual a diferença entao do Flamengo para o Corinthians. Porque o primeiro, aparentemente, deu certo e o segundo nao ?

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