Situação política no Corinthians talvez fosse a única coisa que me faria voltar a escrever no blog.
Situação política no Corinthians talvez fosse a única coisa que me faria voltar a escrever no blog.
Sou fanático, sofro, vibro, já investi uma vida no Corinthians em acompanhar tudo: todas as viagens, todas as tragédias, todos os títulos. Minha família inteira é Corinthiana. Meu pai era fanático. Meu irmão, um psicopata pelo clube.
O sofrimento é parte da nossa história, mas é ele que nos torna ainda mais apaixonados. Mais fiéis. Mais doentes. Mas a real é que grande parte desse sofrimento vem do modelo político que rege o clube. Um sistema que nasceu torto, mas que só agora está mostrando sua verdadeira falência porque os outros clubes começaram a se mexer.
Quando todo mundo é incompetente, a incompetência fica diluída. Mas quando alguns se profissionalizam, viram empresa, estruturam processos, o buraco do Corinthians fica escancarado.
E no caso do Corinthians, o problema é ainda mais complexo, por alguns motivos bem claros:
- O clube tem um DNA popular. Isso inibe mudanças radicais como SAFs. A resistência natural da torcida a modelos “privatizados” é grande, e com razão. Quem sairia na frente nesse novo futebol já estaria em vantagem contra um clube que não aceitaria essas transformações.
- O Corinthians é do povo e o povo não aceita perder. A cobrança é absurda. Um clube que não quer virar empresa, mas também não admite ficar pra trás, se torna uma bomba relógio.
- O Corinthians é do povo, mas o povo é muita gente — o que significa muito dinheiro. E quando tem muito dinheiro envolvido, tem muita gente querendo manter seus privilégios. A estrutura interna resiste porque tem muito interesse pessoal ali. Ninguém larga o osso.
Aí a torcida grita por mudança, por honestidade, por alguém que “entenda de futebol”. Mas essas pautas, apesar de legítimas, não atacam o coração do problema. Honestidade deveria ser premissa. Entendimento de futebol é importante, mas isso se compra — existem profissionais para isso. O que não se compra é modelo de gestão eficiente, transparente, profissional, meritocrático.
A paixão faz a torcida pedir qualquer coisa. Mas, na maioria das vezes, ela não sabe exatamente o que pedir. Eu entendo isso. Eu também sou torcedor. Mas neste momento, sim, o protesto é justo. A manifestação popular é a base de qualquer transformação real. Só é preciso que ela tenha direção.
Então por que estou escrevendo este texto? Porque depois de tantos anos convivendo com o mundo do esporte, no Brasil e no exterior, acho que posso compartilhar algumas ideias que ajudem o Corinthians a encontrar uma saída real, estruturada e duradoura para sua crise. Ou pelo menos, debater com meus amigos Corinthianos.
Vamos aos fatos:
SAF é solução?
Na minha opinião: não.
A SAF pode funcionar para muitos clubes, e está funcionando. Mas o Corinthians tem uma natureza muito específica. Ele pertence ao povo, à massa. A SAF implica lucro e controle nas mãos de acionistas. Para um clube que carrega uma identidade tão ligada à coletividade, à paixão popular, colocar o comando nas mãos de poucos não vai colar. Não é por ideologia, é por perfil histórico e cultural.
Alterar o estatuto resolve?
Sim, mas depende de como.
Mudar o estatuto é essencial. Mas mudar para quê? Aí está o pulo do gato. Existem modelos no mundo que não são nem SAF e nem o modelo político amador que temos hoje. Clubes que encontraram um equilíbrio entre pertencimento coletivo e gestão profissional.
Vou citar dois exemplos:
MODELO BARCELONA – Um passo à frente, mas ainda preso à política
O Barcelona pertence aos seus sócios. São mais de 140 mil torcedores com direito a voto. O clube não tem dono, não tem ações em bolsa, não tem investidores majoritários. É uma associação.
O presidente e a diretoria são eleitos democraticamente. Uma vez eleitos, têm autonomia para tomar decisões executivas. Mas ainda assim, as eleições funcionam como uma campanha política, com promessas, alianças, acordos. A gestão é profissional — sim, existe CEO, CFO, diretor esportivo — mas eles são escolhidos pela diretoria eleita. Ou seja, a meritocracia só entra depois da política.
O clube reinveste todo o seu superávit, não tem distribuição de lucro. Mas como vimos recentemente no caso do Bartomeu, mesmo sem corrupção clássica, o modelo pode gerar decisões populistas e arriscadas que afundam a gestão. O clube ficou com mais de €1 bilhão em dívidas, perdeu Messi, e precisou vender ativos futuros para manter as contas viáveis.
Resumo: um modelo que respeita a torcida, mas que ainda sofre por ter um núcleo político que interfere na gestão.
MODELO BAYERN DE MUNIQUE – O mais próximo do ideal
O Bayern é um clube que não tem dono e não é uma SAF. Mas é gerido como uma das empresas mais eficientes do mundo do esporte.
- 75% do clube pertence à associação dos sócios.
- Os outros 25% pertencem a três empresas (Adidas, Audi e Allianz), em partes iguais, mas sem poder de decisão majoritária.
Essas empresas contribuem com recursos e visão estratégica, mas não mandam no futebol. A operação do clube é feita por executivos de elite: CEO, diretores, gerentes — todos contratados com base em mérito, experiência e resultados. A presidência é uma figura institucional. Quem manda mesmo são os profissionais.
- O clube gera lucro.
- Não tem dívidas relevantes.
- Reinveste tudo em estrutura, atletas e categorias de base.
- Tem metas, auditoria, accountability. Se não bateu a meta, troca.
- Decisões baseadas em dados, planejamento, visão de longo prazo.
Agora, vem a minha proposta adaptada ao Corinthians:
Modelo Akkari (inspirado no Bayern, mas com alma de Corinthians)
Em vez de vender 25% do clube para empresas, que tal entregar essa participação para o sócio-torcedor, de forma estruturada, séria, com governança?
Essa participação poderia ser tokenizada, auditada (PELAS TOP 4 AUDITORIAS DO MERCADO), blindada contra influência política. O torcedor participa com voto em processos estratégicos, como avaliação de metas, aprovação de contas, e desempenho da diretoria. Mas não interfere na operação diária do futebol. Isso é para os profissionais.
As contas seriam auditadas pelas maiores empresas do mundo. Se a auditoria não aprova, a diretoria sai. Se não bate meta, sai. Abre-se novo processo seletivo para C-levels. E aí sim, os sócios (os do clube + os torcedores tokenizados) votam nas novas opções apresentadas. Tudo com critério técnico. Nada de alianças políticas.
Esse modelo não precisa de SAF. Não precisa de dono. E é totalmente permitido pela legislação brasileira. O que falta? Vontade. E coragem para bater de frente com os que ganham dinheiro no modelo podre atual.
Quem é contra isso? Os amadores, os que vivem de cargo, os que assinam contrato obscuro nas costas do clube. Gente que mama nas categorias de base, nos ingressos, nos camarotes, no merchandise.
Enquanto a torcida acreditar que lucro é pecado e que profissionalismo é frieza, vamos continuar vendo o Corinthians ser engolido por SAFs modernas, por empresas bem geridas, por clubes que aprenderam a viver o futebol como paixão, mas também como negócio sério. O Corinthians tem que ser um NEGÓCIO GIGANTE para o PRÓPRIO CORINTHIANS.
Clubes de futebol tradicionais não são comos as organizações de esports por exemplo, como a FURIA, eles vem de um nascimento completamente colaborativo, da época que não era necessários grandes investimentos, que a coisa era da comunidade de verdade construída em bairros, em esquinas. Isto não se acaba, não se retira da equação, mas EVOLUI. Esta é a evolução do modelo estatutário, esta é a reforma que o Corinthians precisa.
Outros clubes pelo mundo não precisam disto mas a sociedade aceita, Lakers, Dallas Cowboys, Manchester City, United, uns tem ações na bolsa, outros são SAF´s, são privados na totalidade ou em partes, mas clubes com o CORINTHIANS nunca vai ser assim, nunca precisará se a torcida se rebelar e buscar a forma PERFEITA desta evolução. Este seria meu sonho como fanático que sou.
Eu ainda acredito que a Fiel pode exigir isso. Não é utopia. É visão de futuro. Quem sabe, um dia, com meus 50 anos, eu veja um Corinthians que dê orgulho não só por suas vitórias em campo, mas por sua grandeza também administrativa, torcida e dinheiro em volta tem e muito.
Aquilo que parece ser o fundo do poço, é a maior oportunidade na história da instituição Corinthians (by Ueltom Lima)
Abração,
André Akkari
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