É fácil a gente entender como dinheiro faz a diferença na nossa vida e na das outras pessoas, o tempo todo. Dinheiro primeiro para sair do perrengue, uma correria gigante para conseguir pagar as contas e nem mesmo pensar em sobrar algum. Aí depois que você consegue esta primeira etapa, que é quase impossível em um país que nem o Brasil, aí começa uma era de pagar todas as contas e tentar sobrar algumzinho, ao sobrar, a vontade de gastar aparece, com conforto, com supérfulo, com qualquer coisa. Uma roda de rato desgraçada né!
Pra pular desta etapa, até você juntar mesmo para poder virar investimento, mais renda, e te deixar em uma situação confortável, é coisa que praticamente 99% da população só enxerga no instagram, só nos conteúdos dos influenciadores financeiros que falam como é bonita a vida certinha e também não fazem, conheço um monte destes.
Mas e o dinheiro no nosso mundo de negócios, entretenimento, mídia, esports e esportes? Como ele impacta de fato no nosso dia a dia, e porque ele não deixa as organizações e clubes voarem aqui no canto baixo do planeta?
Pois é, a FURIA vem tentando fazer milagre, mas é difícil demais viu …
Neste atual momento, todos os nossos jogadores são alvos dos grandes times, e até dos médios times da Europa e EUA, de alguma forma. Os médios times em economias melhores que a do Brasil tem mais recurso que os maiores times da América Latina de longe.
Tudo começa pela economia macro mesmo. Países estáveis, tem gente gananciosa igual no Brasil, entretanto, as start ups deles podem ser alimentadas de dinheiro de investimentos mais facilmente do que aqui. No Brasil, como muitas vezes o desespero da população gera facilidades de ganhar dinheiro apenas com dinheiro de forma mais fácil, os empreendedores não viram um grande alvo deste dinheiro de aventura, aí a competição já começa a não ficar de igual para igual. Se o cara pode receber 2% ao mês de juros, porque vai correr risco em investir em empreendedores, seu dinheiro dobra rapidinho sem risco.
Depois, quando brasileiros conseguem colocar um pouco a cabeça para fora d`água, começa um outro grande problema, receita. Nossas receitas em algumas poucas situações são em dólares, mas a grande maioria não, são em reais. Aí o jogo começa 5x menos que a dos outros. Uma camisa, um pin, um patrocínio, tudo é 5x menos que os competidores internacionais.
As marcas tem seus departamentos de marketing já equalizados para esta situação, e aí, a conversa já começa desindexada, não tem nem debate. Nasceu no Brasil, receita em real, 5x menor, nasceu na Europa, receita em euro, quase 6x maior. Isto muda o jogo todo inteiro.
Mesmo o Brasil tendo um potêncial de geração de talentos bizarro, em todos os esports e esports, o gringo fica em uma posição muito forte, de assistir você trabalhar e olhando um cardápio, até que quando ele quiser, ele aperta um botão e já era. Alguns podem pensar, mas é fácil, coloque multas absurdas e resolveu o problema. Não é assim, multas são proporcionais aos salários, se não forem, são derrubadas na justiça, e aí o ciclo volta ao que citei acima.
Algumas receitas atualmente no Brasil se sobresaem um pouco, tipo, a invasão de bets. Um mercado fechado no Brasil desde 1945 de repente se abriu, e bateu na veia do que o brasileiro curte, risco, adrenalina, dopamina, paixão e de uma forma avassaladoura e muitas vezes irresponsável varreu o país.
Muitos de vocês já sabem, amo gambling, vivo 20 anos dentro de casino, mas aprendi demais algumas coisas. Primeiro gosto que eu mesmo fale de gambling pq sei os limites da liberdade do indíviduo x responsabilidade social, então se alguém tem q falar que seja eu, ou quem eu consigo impactar/influenciar.
Fugir de falar e deixar na boca de terceiros é inadimissível para mim. Ou fingir que é contra e se beneficiar, ai não, aqui a parada é verdadeira. Como gosto do mercado, jogo, vou para Vegas e acho irado, me conecto de forma mega confortável com ele, sabendo bem analisar que marcas fazem um bom trabalho e quando elas passam do ponto.
Se a marca não deixa a gente falar da forma que queremos, então não queremos a marca. A Betboom se juntou a nós pq tinha uma visão muito similar, se não, não colava, como descartamos várias. No lançamento do Fallen como embaixador a banda tocou como todos nós queríamos que tocasse, com responsabilidade sem hipocrisia mas valorizando a adrenalina e o direito das pessoas fazerem o que querem. A marca ficou feliz, o Fallen ficou feliz e a Furia ficou feliz.
Mas a inteligência do mercado de gambling vem avançando demais, as marcas não mais somente patrocinam, eles viraram uns ” transformers”. E vejo isto como aula de marketing viu!
Comprar direitos de grandes eventos e com isto tem suas ativações garantidas em alguns casos, a própria Betboom faz isto, e estamos tentando surfar uma onda positiva com eles que vem dando certo com a Madhouse. Ao comprar direitos, as ativações vem garantidas e controladas, é freeroll praticamente.
Mas as vezes, a guerra é em níveis mais altos, as plataformas também estão sob esta dinâmica. As bets montaram concorrentes do Youtube e da Twitch! Ai foram na raíz da raíz…
A Kick que é de propriedade da Stake, um dos maiores casinos do planeta, e ele adotou estratégia avançada de ao invés de pagar ativações, criar o próprio estádio, e todos tem que jogar bola lá dentro e se render ao poder dos casinos. Ela paga mais de 10x o que outras plataformas pagam, apenas para conectar seu modo de gamificação e integração a plataforma de gambling. Uma forma “easter egg” de construir ativação bem inteligente, mas que ao longo prazo tira do nosso controle a quantidade e intensidade de entrega, mesmo não parecendo isto. Tem que ser cirurgíco para se conectar e curtir/entender o mundo gambling para não causar impacto negativo.
O youtube e twitch mesmo querendo, nem conseguem competir com o dinheiro vindo do casino que montou plataforma, é injusta a concorrência, mas a Stake não fez nada de errado não,é marketing, diferente, mas é marketing. Cabe a você querer estar lá ou não. Se você mira o dinheiro de casino, é uma oportunidade boa.
A Madhouse por exemplo usa multi plataformas, a Kick foi uma delas, mas aos poucos as propostas vão ficando mais one-platform oriented, ou faz aqui, ou não leva o bolão de dinheiro, aí vamos ver como vai ser. Eu sou da opinião que temos que prover multi serviços e deixar o povo escolher, sermos capazes de gerar receita em todo lugar com grandes marcas, sem evitar o dinheiro das bets mais suscetíveis a conteúdos responsáveis, e desta forma, lutar neste mercado maluco. A Stake é uma potência e fez uma jogada de gênio com a Kick, do meu lado eu só bato palmas.
Estas são parte dos formatos criativos que nós brasileiros precisamos ter para jogar o jogo, para enfrentar gigantes.
Fazer as marcas que te apoiam felizes é o grande segredo do sucesso e aumentar o impacto, aumentar a área de atuação, aumentar as possibilidades de receita, aumentar o alcance dos seus atletas, influenciadores e marca. Usar todas as formas de cosntruções de bons negócios e ser ético e firme com seus princípios.
Para você vencer este dilema, você não pode fazer sucesso, tem que fazer um sucesso 5x maior que o dos outros, pois aí o jogo economico dá uma equilibrada e você ressalta aos olhos não mais apenas das possibilidades Brasil mas sim dos investidores internacionais, que se por acaso te veem como oportunidade, te colocam no cenário de briga mundial.
Aí você virou grande de verdade!
A FURIA está neste caminho, é difícil, tira o sono, mas estamos vencendo, graças a parceiros muito fortes, marcas, pessoas, vínculos que somente grandes seres humanos criam!
Achar um jogador do Kasaquistão, fechar um contrato com uma bet específica, buscar comprar softwares de controle de resultados, se apresentar para os gringos como impactante mundialmente e explodir as marcas que são suas parceiras para que sempre elas entendam que você sabe entregar melhor que qualquer outro asset patrocinável do mercado a um preço justo, são os segredos do sucesso, é a guerra do capitalismo.
E tudo isto com propósito, selecionando onde você pode causar mais o bem, a alegria, a adrenalina, a paixão…
Aceitar perder talentos, aceitas dar dois passos para trás para depois dar 5 pra frente, é parte do processo, dói, mas faz parte!
Atualmente, nossos times estão sólidos, com contratos vigentes, mas a busca por novos talentos não pode parar. Kings League, CS, LOL, todos na mesma situação, em compensação, como nós somos atrevidos, nós também as vezes raspamos o cofrinho e vamos incomodar os outros, as vezes como blocking bet hehehe, mas é necessário, se não sempre ser presa é foda!
O que faz muita diferença é quando a torcida entende este jogo. Pain, Loud, FURIA, MIBR, todas sofrem das mesmas coisas, mas tem os mesmos recursos como possível solução. O fantástico engajamento do povo brasileiro!
Quanto mais isto acontece, mais elas podem brigar entre si, mas muito mais importante, competir com os de fora. Vejo diariamente o sofrimento de cada operação, as brigas com as ligas, as batalhas para impactar mais os patrocinadores, o suór para montar times competitivos e não ficar fora dos páreos.
Umas em alguns momentos brilham mais que as outras, outras tem uma variância maior por terem menos cavalos correndo, outras com mais exposição, trabalham mais de 24hs por dia pq se não, não conseguem aguentar estas estruturas de custo. Cobre o pé, descobre a cabeça, esta á e real.
Quando isto acaba? A terra prometida vem de possibilidades diferentes…
Uma economia melhor, um país mais estável, impulsionaria demais este jogo, pq aí com menos oportunidade de ganhar dinheiro com dinheiro, este dinheiro vazaria mais para o empreendedorismo, simples assim. Mas arrumar o país, quase que nem é uma esperança né. Então…
Internacionalizar e globalizar as operações é uma magnífica opcção. Precisa de peito, é muro ou glória. Aumentam demais os investimentos e aumentam os upsides de competir com os grandes. Este é o caminho que escolhemos, e para isto, buscamos os parceiros mais estratégicos do mercado. O lado ruim, é que nao é do dia para a noite, mas acontece. O lado bom, é que se der bom, deu muito bom. Você casa com grandes grupos, grandes investidores e coloca a bandeira do Brasil no topo.
Uma terceira opção é contar com a “sorte”, sorte eu digo, ter pouquíssimos cavalos e se eles derem muito certo, te levarem a opção dois rápido, ou fazer caixa e começar a aumentar o número de opções para chegar na opção 2. Nesta a sorte entra pq você precisa torcer para que ninguém lá fora acorde com vontade de por olho nos seus atletas, influencers, e etc, pq se colocar, a chance de levar e´alta. Precisa estar com sorte para que outros internacionais CEO’s estejam entretidos com outras coisas hehehe. A maioria das orgs da América Latina ficam nesta opção 3. Normalmente ela não dá bom!
Durante o processo, você precisa ser autêntico, proteger seus parceiros, colocar carga máxima nas entregas, tratar seus atletas, influencer e staff da maneia mais elegante possível, e quando competir, competir de verdade, dando a vida, como se fosse o última suspiro, como brasileiros de fato tem que fazer, fazer igual o dolar faz conosco, correr 5x mais que os outros.
Todos tem que dar a vida, todos tem que tirar a última gota de suór do corpo, pq se não, o ferro entra quente!
A FURIA vem sendo construída nestas téses, perdemos muitas batalhas, mas ganhamos algumas muito importantes. Formamos um time de seres humanos potentes, que preferem a conexão muitas vezes ao dinheiro de curto prazo, mirando o longo prazo, e vamos continuar protegendo estes assets e este pensamento.
Este é o jeito FURIA de fazer esta história, um reflexo de como o Brasil e o brasileiro precisa pensar, é a nossa única saída como povo, temos que fazer mais e melhor que os outros o tempo todo, para largar do mesmo ponto de partida pelo menos.
Abs,
Uma resposta
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Akkari, o conteúdo do texto está interessante, apesar de um pouco confuso sua estrutura e formatação. Acho que a mensagem principal foi entender que a briga é de cachorro grande, muito dinheiro envolvido de bets e cassinos – que assola não só o cenário de esports, mas também do esporte tradicional e também da nossa política. Do meu lado, que gosto de ler pesquisas e estudos sobre o impacto economicosocial das bets, fico assustado de ver o quão forte essas empresas estão chegando, mas entendo que isso faz parte do jogo.
Do ponto de vista de gestão, a Furia sempre foi uma incógnita pra mim. Não dá para falar que é uma empresa mal gerida, afinal se tornou uma gigante de um cenário competitivo (moderadamente competitivo) e, a princípio, está indo super bem. Por sua vez, também sabemos que é uma empresa que conta com acionistas com bolso bem fundo – que com certeza ajudou/ajuda a arcar com investimentos pesados em suas operações. Óbvio, ninguém faz caridade e muito menos investe/insiste em investimentos que só dão prejuízo, e ter muito dinheiro não é culpa ou problema de ninguém.
A maior incógnita pra mim é a imagem que a Furia, como instituição, passa para o público. A Furia parece que não tem um CEO/presidente específico (até tem, mas não age como 1 pessoa exclusiva), que deveria ser a figura que representa toda a cultura organizacional que a empresa prega. No lugar disso, o que se vê é uma confusão de diversos funcionários/parceiros agindo cada um de uma forma diferente, com visões diferentes, propósitos e princípios. Isso se reflete também nos próprios sócios da companhia.
A pluralidade é essencial para o sucesso de qualquer empresa, sem dúvida alguma, mas o que se vê é uma companhia que, entre os próprios sócios e funcionários, parece possuir propósitos diferentes. Sem contar o greenwashing: se diz uma empresa com proprósito social, de igualdade e equidade, mas não dá a mesma visibilidade/suporte para influencers ou parceiros pretos. No site, em vez de falar sobre ações sociais da empresa, é na verdade só a loja virtual, com diversos modelos pretos – no entanto, vendendo itens com preços absurdos para a realidade brasileira.
Para a Furia, parece que a questão social e de inclusão só é aplicada quando um preto e/ou pobre é bom o bastante para jogar em seus times (em especial de fut7), e, no final, gerar valor para os acionistas.
A estabilidade financeira que a Furia tem hoje, seja pela receita de suas operações ou pelo suporte de seus acionistas, acho que cria um ambiente seguro para a Furia de fato ser uma empresa pró-ativa e impactante socialmente. Eu sei que essa é uma bandeira que você carrega e defende, mas, como disse anteriormente, não parece ser o propósito dos outros sócios por conta de ações e discursos diferentes.
A Furia é uma grande empresa, e também uma grande incógnita.
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